Ao senhor Cabinda de Benguela

“Um caso suspeito de Covid-19 está sob acompanhamento médico na província de Benguela, anunciou Terça-feira, o coordenador da Comissão Provincial de Prevenção e Combate da Pandemia. Rui Falcão, que falava em conferência de imprensa, explicou que uma cidadã, vinda de Luanda, durante o levantamento da cerca sanitária, apresentou sintomas semelhantes à Covid-19, mas frisou que era necessário testes laboratoriais para determinar se era ou não um caso positivo da pandemia. “É um caso a ser estudado, pelo facto de apresentar sintomas, que directamente não asseguram se realmente está ou não contaminada”, referiu.

Por seu turno, o coordenador Técnico da Comissão Provincial e director do Gabinete Provincial da Saúde, António Manuel Cabinda, assegurou que a cidadã está sob acompanhamento de uma equipa especializada e que amostras já foram enviadas para Luanda para testes no laboratório do Instituto Nacional de Investigação em Saúde. “Vamos aguardar pelos resultados””, afi rmou. Tudo o que o leitor leu acima é um copy and past, sem um único toque, de uma matéria do Jornal de Angola do dia 16 de Abril. Está na Internet, é só ir consultar.

O texto está assinado pelo jornalista Hermínio Fontes António Gonçalves. E o título é “Caso suspeito em Benguela”. Na Internet, a matéria vem ilustrada, na página do Jornal de Angola, com uma fotografi a de um autocarro da Macon. Porquê disso aqui? Já explico. Num documento assinado por Manuel António Cabinda, a Comissão Técnica provincial de Saúde Pública afi rma que o jornal OPAÍS é mentiroso e inescrupuloso por ter publicado, no dia 17, um título que não lhe agradou.

O escrito era simples “Benguela: Falcão diz que há suspeitos, Saúde desmente”. Estranhamente, estas referências mal educadas não foram directamente feitas nem ao Jornal de Angola, nem a outros órgãos de comunicação social que trataram o assunto, foram a OPAÍS. Mas, Rui Falcão, o governador provincial, falou, está gravado e nada o pode desfazer.

Está publicado por vários órgãos. Se se arrependeu, ou se o director da Saúde não ouviu o seu governador, o problema não é deste jornal. Aliás, estranhamente, no meio dos insultos que pretendiam ser notas de esclarecimento, em momento algum os comunicados da dita comissão técnica dizem que o governador não disse o que disse, porque sabem que o disse.

Provas há o sufi ciente. O senhor Cabinda que passe a respeitar a honra e o profi ssionalismo dos jornalistas, se alguém disse o que não queria ouvir (que havia casos suspeitos em Benguela), ou que considera não ser verdade, sabe bem a quem se dirigir.

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