Carta do leitor: vítimas da chuva

Caro director de OPAÍS Choveu em Luanda e a desgraça voltou a muitas famílias. Ontem mesmo me ligou a senhora que trabalha em minha casa completamente aflita. Ela tem três filhos que cuida como mãe e pai. O homem angolano, já se sabe que na maioria faz filhos e vai-se embora.

A senhora perdeu tudo, a água levou. Eu não a posso acolher em casa com as crianças. Tecnicamente, por causa da lei do estado de emergência, nem posso ter contacto com ela. Ela não pode vir a minha casa. Eu sei que o salário que lhe pago não dá para recuperar tudo o que perdeu. Agora eu pergunto: como fica o seu caso? Quem a ajuda?

Nestes dias só se ouve falar de Coronavírus, mas como ficam os sinistrados da chuva? Como ficam aquelas crianças? Angola tem muitos problemas, o Governo tem de saber resolvê-los, tem de ser competente. Não basta a propaganda. Há centenas ou milhares de famílias como a da minha empregada. Quem ajuda?

Ela pagou pelo terreno em que ergueu a sua casa, a comissão do bairro que o diga, não é nenhuma arruaceira, trabalha dignamente e recebe o que recebe, agora é hora de o Estado fazer a sua parte, há vidas de crianças em jogo. Rossana Costa Talatona- Luanda

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