Marcela Paiva: “O nosso campeonato de andebol é o melhor de África”

A pivot da equipa sénior feminina de andebol do Progresso do Sambizanga, formada no Atlético do Namibe, Marcela Paiva, considerou, ontem, em exclusivo, a O PAÍS, que o Campeonato Nacional da modalidade é o melhor do continente africano. A atleta, de 23 anos, “aconselhou” a Federação Angolana de Andebol (FAAND) a melhorar um ou outro aspecto para que a prova seja mais atraente e rentável. A jogadora também, pois, falou da sua carreira

Como nasceu a paixão pelo andebol?

A paixão pelo andebol nasceu, ou seja, descobri quando tinha 14 anos de idade. Na altura participava no Campeonato Nacional Escolar, na província Namibe, em 2011, e foi a minha primeira vez numa prova onde tinha estudantes de todo o país que encararam o torneio com muita seriedade. Na verdade, era bonito ver atletas da minha idade com uma cultura táctica e técnica melhor do que eu, mas logo que percebi que muitos deles também já jogavam em algumas equipas, depois do Nacional Escolar decidi aprender melhor as regras do desporto das sete linhas.

Qual foi o clube em que deste os primeiros passos?

Como sabe sou do Namibe, província onde nasci e cresci. Tudo começou com o meu tio, antigo praticante de basquetebol, que aproveitou o período de admissão no Atlético do Namibe, pois levou-me até lá, fui aprovada nos testes e prossegui com a formação sob olhar atento de bons treinadores. Fiquei no Atlético até à categoria de júnior.

Depois de ser admitida no Atlético do Namibe, recebeste apoio dos seus pais?

Sim recebi. Os meus pais estiveram sempre presente, me davam muita coragem e força, de modo a não desistir, porque eles diziam que o desporto, em particular o andebol, faz bem à saúde da pessoa.

Como chega ao Progresso Associação Sambizanga?

Cheguei à equipa do Sambizanga por um desafi o pessoal, mas antes joguei na Casa Pessoal do Porto do Lobito (CPPL), onde ascendo à categoria de sénior durante dois anos. Depois senti que era altura de dar um salto ao nível competitivo, pois tentei em vários clubes, mas foi a turma sambila que me abriu as portas.

Está feliz nesta equipa?

Uau! Sim sinto-me feliz, porque o Progresso oferece-me a possibilidade de fazer o que amo, que na verdade é praticar andebol ao mais alto nível. Depois do Petro de Luanda e do 1º de Agosto, a formação do município do Sambizanga é a terceira melhor equipa do nosso país.

Reconhece que o Peto de Luanda e o 1º de Agosto são as melhores equipas do país. Aceitarias uma proposta para jogar numa das equipas supracitadas?

Claro que estaria disposta, porque se trata das duas melhores equipas de Angola e do continente africano, pois é o sonho de qualquer andebolista que joga no Campeonato Nacional. É só olhar para os palmarés das duas equipas. Aliás, o clube central das Forças Armadas Angolanas venceu no ano passado o Campeonato Mundial de Clubes. É obra…

Consegue sobreviver do andebol?

Ainda não consigo, mas não posso esconder o que recebo já dá para comprar os bens de primeira necessidade.

A direcção do clube tem dívida para com os atletas? Como é do conhecimento púbico, a direcção do Progresso do Sambizanga tem ‘kilapi’ os jogadores e não só. Mas, estou crente que esta situação será resolvida.

Consegues conciliar o andebol e o estudo?

É difícil mas consigo conciliar as duas coisas. Os meus professores sempre foram compreensivos e respeitam a minha particularidade de ser desportista de alta competição. Por exemplo, os professores aceitam de forma compreensível que eu antecipe uma prova para não coincidir com uma competição ou um estágio. Sempre me senti bem acolhida na universidade, onde estou a frequentar o curso de comunicação social, isso me incentiva a continuar a trabalhar.

Como disseste a sua família vive no Namibe, como é jogar distante dela?

Olha é muito difícil, principalmente, quando as coisas não estão a correr bem nos treinos e nos jogos. Mas, sou uma profi ssional e já consigo inverter a situação com ajuda das colegas e dos treinadores.

Qual é a jogadora que mais admiras no país?

Olha que admiro muito a pivot do 1º de Agosto e da Selecção Nacional sénior da modalidade, Albertina Cassoma.

Porquê?

Na minha modesta opinião é uma atleta completa, ou seja, tem força, altura e habilidade. Devo aqui assumir que ela actuamente é a jogador de África e uma das melhores do mundo, pois ela joga na mesma posição em que jogo. Portanto, vejo a Albertina Cassoma como um espelho.

Inspira-se em alguma atleta estrangeira?

Apesar de acompanhar alguns jogos das ligas europeias, as minhas referências estão mesmo aqui no nosso campeonato.

Gostaria de jogar fora de Angola?

É uma boa pergunta. O nosso campeonato é o melhor do continente africano e me sinto bem aqui. Agora, acho que a nossa Federação Angolana de Andebol (FAAND) deve melhorar um ou outro aspecto para teremos uma prova mais atraente e rentável. Ainda assim, gostaria de jogar em algum país da Europa do Leste, onde se vive o andebol com muita intensidade.

Qual é o seu sonho como andebolista?

Representar as cores da Selecção Nacional sénior feminina. Por isso, trabalho arduamente para conseguir concretizar este objectivo e sei que o momento chegará para lá estar.

Como o povo deve combater a pandemia do Coronavírus (Covid-19)?

O mundo está a passar por um momento difícil. Por este motivo, aconselho o povo angolano a cumprir com as orientações das autoridades sanitárias. Ainda assim, é importante ter muita força, coragem e fé para que possamos vencer esta pandemia

Perfil

  • Nome: Marcela Paiva
    Província: Namibe
    Data de Nascimento: 1 de Setembro de 1996
    Estado Civil: Solteira
    Prato preferido: Cozido
    Cor preferida: Rosa e Branca
    Igreja: Pentecostal

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