Administração do Mussulo com poucos meios para transportar água potável para a população

O administrador da Ilha do Mussulo, Patrício lemos, reconheceu que esta entidade está com alguma dificuldades em fazer chegar a água potável à população, pelo que apela ao bom senso dos empresários, no sentido de ajudarem com a disponibilidade de meios que facilitem a retirada do líquido dos reservatórios, de fora para dentro da ilha

O grito de socorro dos moradores do Mussulo, por estarem a passar por dificuldades para conseguirem água para consumo próprio, voltou a ser feito com a prorrogação do estado de emergência, como forma de evitar a propagação da Covid-19 em Angola. Embora se tenha a ideia de que o Mussulo seja uma Ilha com mais casas de fim-de-semana, existe uma comunidade de pessoas de renda baixa que passam por dificuldades de vária ordem, dada as limitações que têm próprias daquela ilha. Dentre as dificuldades está o acesso á água potável, que ultimamente se agravou. Em entrevista ao jornal OPAÍS, o administrador do Mussulo, Patrício Lemos, começou por reconhecer que a distribuição de água nesta comuna tem sido difícil, mas não impossível.

Confirma que a EPAL, dentro do plano de distribuição, tem abastecido a zona do Buraco, Tapo e do Farol, embora o Mussulo seja mais do que essas zonas citadas. Neste contexto, a administração pediu que a água fosse deixada também no Museu da Escravatura e no Embarcadouro do Capossoca, onde foram preparados alguns reservatórios e depois a administração, junto dos marinheiros, tentara ver a possibilidade de retirar o líquido deste local e fazê-lo chegar à população do Mussulo Centro, Costa da Barra e Priori, por exemplo.

“Isto é um processo mais demorado ou um pacote a exercitar, mas estamos a criar as condições mínimas. Conseguimos conversar com a Capitania, que disponibilizou alguns reservatórios de água no embarcadouro, de 15 a 20 mil litros, e nós vamos levando a água em bidons de 20 litros, em parceria com os Bombeiros, mas é insuficiente”, disse. Com a situação emergencial, diminuiu-se o número diário de barcos que fazem a travessia, tendo ficado apenas quatro para cada dia. Ainda assim, a população tem de pagar a travessia para ir buscar a água, mas o administrador disse que neste particular o valor foi reduzido.

Precisa-se de meios para transportar a água

Antes, a população desembolsava perto de 1700 Kz (com a travessia) para conseguir água. Pelo facto de a Administração estar a fornecer a água, agora a população apenas gasta o dinheiro para a travessia e a água não é paga, o que fica em 200 Kz. “Nós conversamos também com os marinheiros no sentido de baixarem o preço da travessia”, reforçou.

A Administração apela ao bom senso dos empresários do Mussulo, e não só, no sentido apoiarem com um tractor, kamases, barcos ou outro tipo de transporte pra fazer chegar a água às famílias desfavorecidas. Alguns dos moradores têm aproveitado a água das cacimbas, mas é mais para lavar a louça e roupa, pelo que para o consumo só mesmo a disponibilizada pela Administração, nesta altura, ou a comprada.

O Mussulo é uma ilha com doze mil habitantes, mas metade desta população tem ali casas de turismo, pelo que com o estado de emergência apenas seis mil habitantes ou perto deste número encontram-se na ilha, segundo o administrador. Com os que ficaram, a Administração disse estar a fazer o seu trabalho no sentido de fazer cumprir o estado de emergência e tomarem as medidas de biossegurança. Têm feito a distribuição de sabão e algumas cestas básica para as famílias vulneráveis.

Estão-nos a cobrar o que devia ser grátis
Um morador do Mussulo, que preferiu o anonimato, falou ao jornal OPAÍS sobre um carregamento de água que receberam na zona da Língua, onde lhes estavam a ser cobrados 100 Kz por cada bidon de 20 litros, dinheiro, segundo o marinheiro, que serviria para o combustível.

Embora não concorde com este pagamento, já que tem ouvido que nessa altura a água deve ser dada de borla, o cidadão assume que reduz significativamente os custos, já que se fosse atravessar para conseguir água teria de desembolsar 1000 Kz.

“Estão-nos a cobrar o que, a princípio, devia ser grátis, mas ainda assim é melhor do que nada”, disse. Nesta altura, segundo o entrevistado, que não há banhistas o Mussulo está praticamente abandonado, pois estas pessoas são quem muitas vezes ajudam os moradores locais. Também as pessoas que trabalham para os donos das casas de praia estão a passar por dificuldades.

“Não entendemos como é que não conseguem mandar os camiões, via terra, ao Mussulo, se a EPAL tem um grupo de camionistas que estão a distribuir água à população”, sublinhou.


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