Petróleo americano afunda mais de 100% para valor negativo

Quebra do consumo por via da pandemia de covid-19 e excesso de oferta no mercado fazem cair o preço do barril em valores recorde

O preço do barril de petróleo americano chegou a cair mais de 100% para valores negativos, nesta Segunda-feira, tendo atingido mesmo menos de 0 dólares (chegou mesmo aos -31 dólares) na bolsa de Nova Iorque, em resultado da retracção da procura e dos elevados níveis de stocks no mercados. Trata-se de um registo inédito.

Pelas 11:25 (hora de Luanda), os contratos futuros de West Texas Intermediate (WTI), para entrega em Maio, que vence hoje, cedia 32,30% para 12,41 dólares, o nível mais baixo desde 1999. Duas horas depois, a quebra era já de 40,45% para 10,88 dólares o barril, o valor mais baixo desde o segundo trimestre de 1986.

E às 16h57, a redução era já de 72% para 4,04 dólares o barril, um recorde com quatro décadas, atingindo pouco depois o registo inédito de uma quebra de 100% que se transformou depois em terreno negativo. Já a referência para as compras europeias de petróleo, o Brent, continuou a aguentar o seu valor, embora também tenha registado uma quebra. No mercado de futuros de Londres, o Brent caiu 8,90%, para 25,58 dólares.

Também conhecido por crude do mar do Norte, concluiu a sessão no International Exchange Futures a cotar 2,50 dólares abaixo dos 28,08 com que fechou as transacções na Sextafeira. Quando um contrato futuro expira, como acontece hoje com o contrato WTI para entrega em Maio, os traders decidem se aceitam a entrega ou rolam as suas posições para um contrato futuro. Um processo habitualmente simples. Mas o declínio de preços do contrato de Maio mostra a preocupação extrema dos investidores com o excesso de oferta no mercado.

A situação já fez ‘vítimas’, com a Hin Leong Trading, a maior trader de petróleo de Singapura, a declarar falência depois de perder 800 milhões de dólares em negociações de futuros. E um grande fundo de investimento norte-americano anunciou que mudará cerca de 20% da sua posição para os futuros de Julho, levando à venda de contratos com vencimentos anteriores (Maio e Junho). Números que mostram que o acordo da OPEP+ para o corte de 9,7 milhões de barris de petróleo por dia, no Domingo de Páscoa, chegou já demasiado tarde para resgatar os contratos de futuro de Maio.

A questão é que, acreditam os analistas, o corte, apesar de histórico, poderá, também, não ser suficiente para o contrato de Junho – cerca da 17h00 (hora de Luanda), o barril de petróleo era negociado nos 22,26 dólares, uma quebra de 11% -, atendendo a que as previsões apontam para uma quebra da procura três vezes superior, ou seja, na ordem dos 30 milhões de barris de petróleo por dia, em consequência da pandemia de Covid-19.

A queda de preço no WTI “é, certamente, épica em escala e resulta, “em grande parte um caso de nervosismo antes do contrato futuro do WTI de Maio de 2020 expirar e hoje os temores relativos à falta de armazenamento finalmente se materializarem”, diz Louise Dickson, analista de mercado de petróleo da Rystad Energy.

Dinheiro Vivo

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