Polícia detém 23 supostos envolvidos no tumulto de Caluquembe

Vinte e três trabalhadores do mercado informal da Alemanha, no município de Caluquembe, província da huíla, foram detidos durante o fim-de-semana por efectivos Polícia Nacional por, supostamente, estarem envolvidos no tumulto de Sextafeira, que resultou com a destruição de bens públicos e privados nesta localidade, segundo apurou OPAÍS

Os detidos serão ouvidos nos próximos dias pelo procurador junto do Serviço de Investigação Criminal (SIC) local que determinará se deverão responder em liberdade provisória ou sob custódia do serviço penitenciário. Isto ocorre numa altura em que a Procuradoria Geral da República e os tribunais de primeira instância, estes sob orientação do Tribunal Supremo, estão a libertar alguns reclusos por causa da pandemia da Covid-19.

Além dos crimes relacionados aos bens destruídos, alguns deles poderão responder também pelo crime de furto, por terem sido encontrados com dois computadores subtraídos do colégio Pitágoras durante o acto de vandalização. Todos eles terão participado num tumulto que envolveu mais de 500 pessoas que exerciam diversas actividades no mercado da Alemanha, no município de Caluquembe. Os indivíduos protestavam contra o encerrado do aludido mercado e a transferência dos mesmos para um outro local, por iniciativa da Administração. Insatisfeitos e empunhando objectos contundentes, se deslocaram à sede do município e realizaram vários ataques, tendo danificado a Administração, as instalações da Polícia Nacional, dos Bombeiros e a sede do partido no poder, MPLA.

Além de tais instituições, foram danificadas as residências de advogados e do aludido colégio. A Polícia diz que o ataque foi protagonizado com paus, pedras e catanas. “Ocorreu em retaliação à decisão da Administração municipal de encerrar o referido mercado, devido à falta de condições de higiene e segurança, no âmbito das medidas de prevenção ao contágio por Covid-19”, lê-se num comunicado a que OPAÍS teve acesso. Nesse ambiente de tenção, os efectivos da Polícia fizeram disparos de arma de fogo para dispersar a população.

Ao tomar conhecimento da ocorrência, o Comando Provincial da Polícia Nacional movimentou para o local duas equipas da Polícia de Intervenção Rápida, secção anti distúrbio, e os especialistas do Serviço de Investigação Criminal estão a realizar as diligências necessárias para capturar outros envolvidos. O encerramento do mercado partiu de uma iniciativa do administrador Caluquembe, José Arão Chissonde, alegadamente devido às débeis condições de higiene no local. Porém, alguns vendedores não concordaram com a mesma.

Um dia depois da ocorrência, o comandante provincial da Polícia Nacional, comissário Divaldo Martins, deslocou-se ao local com o intuito de mediar este conflito que opunham os populares e a Administração Municipal. De acordo com o comunicado saído deste encontro, depois de seter inteirado da situação, ouvindo José Arão, o comissário reuniu-se com alguns representantes do Conselho de Auscultação Social do Município, com destaque o soba grande, a secretária municipal da UNITA e o seu adjunto, o segundo secretário do MPLA, representante dos comerciantes do município e o presidente do Conselho Municipal da Juventude.

Face aos depoimentos dos presentes, Divaldo Martins exortou os participantes a serem porta-vozes das resoluções saídas do encontro, tendo solicitado às autoridades do município a colaborarem com as forças da ordem no sentido de encontrar-se a medida mais adequada tendo em conta os interesses em causa. O governador provincial da Huíla, Luís Nunes, tem agendada para hoje uma visita a este município que dista 193 quilómetros a Norte do Lubango, a fim de tomar contacto com a situação.

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