Brent abaixo de 20 dólares

o preço do barril de Brent, que serve de referência às ramas angolanas, situava-se esta Terça-feira abaixo dos 20 dólares, na sequência da queda do WTI, comercializado na praça norteamericana, para valores negativos na véspera

O barril de Brent caiu ontem, pela primeira vez em 18 anos, para menos de USD 20 por barril, na sequência da hecatombe que atingiu o WTI (West Texas Intermediate), o petróleo comercializado nas praças norte-americanas, na véspera. O WTI caiu a pique para valores negativos, um acontecimento sem precedentes históricos, com a data dos vencimentos dos contratos a concretizaremse e os depósitos de crude à beira de deitar por fora.

A capacidade de armazenamento esgotou-se e quem vende petróleo ainda tem de pagar ao comprador os custos de armazenamento. A confirmação de que é impossível prever até que ponto a pandemia do novo Coronavírus pode arrasar a economia mundial. Suspeitava-se que o corte operado pela OPEP e os seus aliados e que contou com a bênção norte-americana, de mais de 10 milhões de barris de petróleo diários (o equivalente a 10% da oferta) não chegasse para suprir a diferença, enorme, entre a oferta e a procura da matéria-prima energética.

Refira-se, contudo, que este novo tombo no preço do petróleo ainda reflecte o desentendimento entre a Arábia Saudita e a Rússia que precedeu a decisão de retirar ao mercado 10 milhões de barris de crude diariamente, traduzindo a estratégia então seguida por Riyadh de entornar petróleo no mercado.

Contratos diferentes

Por outro lado, o tombo no valor do WTI para USD 37,63 negativos tem a ver com o modelo de contrato de futuros deste tipo de petróleo adoptado na praça norte-americana, o qual é diferente do aplicado ao petróleo Brent negociado na plataforma da ICE Europe e que constitui a referência para as compras globais.

O valor do Brent é a referência das ramas angolanas. Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que irá comprar 75 milhões de barris destinados às reservas estratégicas norte-americanas. Segundo Trump, se os Estados Unidos puderem comprar a matériaprima energética de ‘borla’ ficarão “com tudo o que puderem”.

“É um óptimo momento para comprar petróleo”, afirmou o Presidente norte-americano. Apesar do acordo celebrado entre a OPEP e outros grandes produtores, o Brent poderá, no entanto, continuar a cair, atendendo a que sobram actualmente 30 milhões de barris de petróleo no mercado, devido ao impacto da pandemia COVID-19, com origem na China e que praticamente parou as principais economias do mundo.

Angola corta 1,1 milhões de barris

O acordo deverá implicar uma descida da produção angolana para perto de 1,1 milhões de barris diários. O corte na produção, decidido a 9 de Abril, será de 23% para todos os Estados signatários do acordo e tem como referência o histórico de Outubro de 2018, altura em que Angola tinha uma produção diária de 1,53 milhões de barris, o que, revisto o nível, implicará uma redução para 1,18 milhões de barris diários. Angola tem produzido entre 1,3 milhões e 1,4 milhões de barris por dia nos últimos meses, abaixo dos mais de 1,6 milhões registados em 2017 e 2018, segundo os relatórios da OPEP.

Sonangol utiliza terminal da Pumangol
A Sonangol e a Pumangol chegaram a acordo quanto à utilização do Terminal de Combustíveis da Pumangol (TCPL), em Luanda, propriedade da Puma Energy. De acordo com um comunicado distribuído Terça-feira pela Sonangol, o contrato permitirá à petrolífera nacional “utilizar as referidas instalações quase na totalidade da sua capacidade máxima, 300.000m3, bem como as demais valências logísticas que o mesmo comporta”.

Como resultado do acordo, informa ainda o comunicado, foi efectuada ontem pelo navio Girassol da Sonangol a primeira operação de descarga no TCPL. “Entretanto, a Sonangol continua engajada no processo de retoma do seu Projecto de construção do Terminal Oceânico da Barra do Dande, empreendimento que irá garantir maior capacidade de armazenamento em terra e substancial contribuição para a criação da reserva de segurança de combustíveis líquidos e gasosos para o país”, acrescenta o comunicado. (sequência na pág.18)

error: Content is protected !!