Quarentena em tempos de pandemia inspira autores

Numa altura em que ficar em casa é crucial para combater a propagação da pandemia do novo coronavírus, escritores, artistas plásticos, músicos, bailarinos, entres outros, vão-se adaptando às novas regras de vivência neste período de quarentena domiciliar, mas sempre movidos pela inspiração e pela criatividade

A pandemia do Covid-19 tem alterado a vida quotidiana de todos. Não obstante o distanciamento que se impõe, associado às novas regras de convivência, de sanidade e de comunicação uns com os outros, entre outros aspectos, impostos pela Organização Mundial da Saúde, algumas destas figuras continuam a ser inspiradas pelo actual momento e de várias formas. Outros, vão sanando alguns pendentes, dedicando-se à família e à criatividade, sempre na perspectiva de pôr em prática os seus projectos. É o caso da escritora Marta Santos, que, a par das letras, tem aproveitado o momento para dedicar-se ao artesanato, um projecto que, segundo adiantou, tinha estado no canto da cozinha.

A este juntam-se também alguns seguimentos como as sessões de leitura, os filmes, os exercícios, os consertos de alguns objectos e artigos do lar, e, por último, a escrita, que sempre termina em conversa. Para evitar o silêncio que por fezes parece tomar conta de algumas famílias nos seus lares, a escritora referiu que tem sugerido exercícios lúdicos com as crianças. “Aproveitar a pausa para ler aquele livro que está sempre enfeitado na estante, é antes de tudo um excelente à nossa mente. Leia, seja poesia, prosa, romance, novela, tudo é importante”, sugeriu.

Marta Santos realçou igualmente, que tem postado mensagens de incentivo à prevenção contra a Covid-19, que além das entidades sanitárias, exige de todos nós a conjugação de esforços para impedir o contágio no meio comunitário. “Previna-se e acate as ordens do Executivo. Salve a tua vida e a dos outros. Fique em casa, porque nada é pior que a morte”, alertou a escritora. Para gaudio dos leitores, Marta Santos disse que já tem prontas algumas obras e outras por terminar em breve.

“Em África temos hábitos e costumes muito enraizados. Mas também é verdade que a Cultura tem sido deixada em último plano. Vão sendo horas de olhar para os escritores, e fazedores de artes como gente que eleva uma Nação, que mantém viva e leva o país além-mar”. No entender de Marta Santos, a Cultura não pode ser vista como um nado-vivo em tempo de pandemia, uma vez que deverse-ia andar também de mãos das com ela. A escritora enalteceu a iniciativa do projecto “A Escola na TV, um acto que para os meninos deve ser levado em conta e sugeriu que fossem lidos igualmente autores angolanos.

Opinião igual é do também escritor, David Capelenguela, que disse estar a passar o período de emergência em casa, com a família, cumprindo com todas as recomendações, visto que só desta forma poderá cuidar dela, dos seus colegas e dos outros concidadãos. O escritor afirmou que tem aproveitado ler e escrever bastante neste período e recorda que há sensivelmente cinco anos, leu o livro “Luuanda”, de José Luandino Vieira, e em Dezembro de 2019, decidiu relê-lo, mas por imperativos de trabalho, concluíu-o apenas no Sábado passado.

Assim, na fila dos livros iniciados a ler e não concluídos estava também o “Os Transparentes” , de Ondjaki que, segundo o escriba, já o tinha lido, mas ocorreu-lhe voltar a lê-lo. David Capelenguela salienta que neste livro, Ondjaki faz um retrato fiel da Luanda de hoje, a qual fala das gentes de Luanda, dos hábitos e costumes, dos comportamentos de alguns citadinos, o calor abrasador, entre outros aspectos. Indagado quanto ao que sugeria aos seus amigos e colegas neste período de quarentena, afirmou que as pessoas deveriam aproveitar ao máximo este período para rever quase tudo o que eventualmente gostariam de ver organizado.

“Temos sempre alguma coisa que por falta de tempo, deixamos sempre para depois. Há ainda algumas práticas que fazêmo-las com alguma irregularidade ou mesmo se as fazemos com regularidade, não é com o tempo suficiente que as devíamos fazer”, disse David Capelenguela, acrescentando que nada melhor do que aumentarmos o tempo dos exercícios físicos de manhã e ao fim do dia. Já em relação à comunicação, face o distanciamento social, o escritor destacou o recurso às redes sociais como um gesto muito importante, para partilhar o máximo, aproveitando estes meios de comunicação, não só para dar sinal de que estamos presentes a partir de casa, mas também para não deixarmos de nos comunicar com outros através do texto.

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