Dupla Naice Zulu e BC de volta à ribalta com álbum “Anjos e Demónios”

Num espaço temporal de sete meses, a dupla Naice Zulu e BC “confeccionou” três álbuns, sendo o primeiro “É Confidencial”, em Setembro do ano passado, o segundo “Estado da Nação”, em Janeiro, e, por último, “Anjos e Demónios”, que vai ser disponibilizado a 30 de Abril

Por:Adjelson Coimbra

A dupla rapper Naice Zulu e BC disponibiliza a 30 de Abril nas plataformas digitais o seu mais recente álbum intitulado “Anjos e Demónios”, que retrata sob as suas retinas as alas a que denominam “Lourencistas” e “Eduardistas” Esta corrente adversativa, referese aos militantes do partido MPLA que por um lado são seguidores do actual Presidente da República, João Lourenço (Lourencistas) e na outra ala do antigo Presidente, José Eduardo dos Santos (Eduardistas).

“No nosso álbum fizemos um paralelismo de que anjo é tudo que é bom e o que é demónio é tudo aquilo que é mau. Do panorama que Angola vive agora não sabemos se os demónios tornaram-se anjos ou se os anjos são demônios. Falando de política, da ala Lourencista e da ala de José Eduardo dos Santos”, clarificou BC. Adiante, sobre o álbum, BC garantiu trazer mensagens interventivas, problemas e as respectivas soluções. “As nossas mensagens estão mesmo voltadas a políticas. Nós estamos indignados com a política não só a de hoje, isso já se arrasta desde 1975.

Neste álbum também abordamos sobre a pandemia que nós enfrentamos hoje. Questionamos se eventualmente esta pandemia seja da natureza que de alguma forma a fez ou se estão por detrás disso chineses e americanos com o fito de alavancarem as suas economias”, questiona o músico. Além disso, no álbum também se fala sobre os médicos cubanos que vieram ao país, uma vez que Angola gastou dinheiro mandando angolanos estudar em Cuba; a luta contra a corrupção, “quem são os corruptos do nosso país? São as próprias pessoas do MPLA?”, são algumas das questões que, conforme diz BC, vêem-se respondidas na obra discográfica.

“Nós sempre levamos os temas na sua dualidade. Cada um a defender um ponto e desses pontos de vistas diferentes sai sempre uma solução no final da música”, descreveu BC. Por seu turno, o álbum, sob chancela da Zone Muzic, comporta 16 faixas e conta com as participações de Laton, ex-Kalibrados, Smallz, Maureo, Eddy Flow, Emsuma, Kenny Base, MAMMY Skills, Loromance, bem como da produção de Desejo Humano (DH), MD, Bruma, Kobs e Bruno Pro. Enquanto se aguarda pelo aludido álbum, nesta Terça-feira, 21, a dupla disponibilizou o single intitulado MPLANIA, onde faz uma comparação entre a pandemia Covid- 19 e o MPLA, ou seja, “sobre quem matou mais pessoas”.

Foco: “conversão de mentalidades

Naice Zulu, no que toca à expectativa do público, disse não ser algo que interesse à dupla avaliar. “O público angolano é muito ‘cai do cavalo’, muito para a moda e o conteúdo de Naice Zulu e BC não é muito para a moda. Não esperamos muita adesão em massa. A tendência é converter mentalidades a uma perspectiva democrática”, defendeu o artista. Outrossim, uma vez que a dupla lançou três obras em menos de um ano, Naice Zulu contou que tem sido incitado a trabalhar a esta velocidade pelo dinamismo do mundo, que se encontra na era digital, como também os acontecimentos políticos da sociedade angolana cada vez mais frenética.

Desta forma, Naice Zulu vê a Internet, enquanto factor que contribui para a Liberdade de Expressão e impede a censura artística, como um elemento de extrema importância para a dupla, até porque a Internet, na opinião do rapper, é um dos mundos mais democráticos que existe. “A democracia na Internet é real, as pessoas são livres, cada uma tem o seu domínio e a partir do seu domínio cada um pode medir a sua opinião. Então, para contribuir para uma democracia transparente em Angola, a Internet seria um dos corredores mais firmes”, opinou.

O principal alvo das críticas é o poder judicial

Para Naice Zulu é fundamental, independentemente de qual venha a ser a situação, que “se joguem os pratos limpos à sociedade”. No álbum, a dupla fala, igualmente, sobre “A Caça às Bruxas” e Naice Zulu, sobre isso, comentou que “bruxas não podem caçar bruxas, da mesma forma que tubarões não se comem uns aos outros”, disse. “Eu não sei necessariamente o que é, se calhar seja uma rivalidade entre os do MPLA. De certa forma, isso vai gerar instabilidades e é bem claro que isso não é de todo real ou transparente. Está-se a camuflar sob a perspectiva de que há mudanças políticas. Na verdade, é a reorganização de um gang político”, afirmou.

Álbum Estado da Nação

Vale lembrar que o álbum “Estado da Nação” foi a penúltima obra da dupla Naice Zulu e BC, onde abordaram satiricamente os acontecimentos sócio-político- económicos que marcaram Angola no último semestre de 2019.

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