“Os custos de produção dos empresários está mais pesado”

numa conversa curta, mas incisiva, cujo pano de fundo foi a Covid-19, Francisco Chen, o vice-presidente da Câmara de Comércio Angola/China, fala em dias difíceis e que apesar do estado de emergência é possível produzir. Lamenta que a conclusão de muitos projectos poderá ser adiada

Por:Miguel Kitari

Sabemos que muitos empresários estão a perder muito dinheiro. Em termos de perdas, qual é a sua estimativa?

Quase todos os negócios estão parados por causa do estado de emergência, as empresas fecharam, as lojas fecharam, as fábricas fecharam, os restaurantes fecharam, e ainda tem que pagar os funcionários, impostos, água, luz e as rendas. As divisas estão cada mais difíceis, e a moeda nacional está mais desvalorizada, o custo de produção está mais pesado, e o custo de vida está mais caro. O dinheiro que se ganha, hoje, não vale nada. Alguns investimentos estão parados devido ao estado de emergência, se a sua construção não termina este ano, alguns projectos como colégios, por exemplo, ainda vão esperar mais um ano para começar a actividade. Estão a perder muito dinheiro e tempo. Em termos de perda não posso ser exacto, mas é enorme.

Apesar do estado de emergência, as empresas ainda podem tomar as medidas de prevenção e fazerem produção ao mesmo tempo. Como é que os empresários chineses poderão sair-se após a pandemia da Covid-19?

O que deverão fazer para manter os negócios em Angola? Depois da Covid-19, a situação vai melhorar, mas o efeito causado na economia vai ser profundo. Os negócios vão ser reorganizados, o mercado talvez seja um outro tipo de mercado, um novo mercado, as empresas podem fechar de uma vez e vão procurar outro negócio. Não é fácil sair bem dos efeitos negativos. Para manter os negócios em Angola, eu acho que o governo angolano precisa de dar mais incentivos aos investimentos, criar um melhor ambiente de negócios, continuar a diversificação da economia, fazer mais reformas no Estado, dar mais oportunidades de investimento.

Comparativamente às outras partes do mundo também afectadas pelo Covid, como é que considera Angola em termos de segurança nos negócios neste período?

Segurança sempre é o primeiro factor, sem segurança não faz sentido. Neste período, evitar a propagação é prioridade, se ainda estamos num perigo de contaminação, os negócios sempre são secundários. Angola, por enquanto, tem 24 casos, muito menos que a Europa e EUA, no conjunto da África, em termos da quantidade de casos, ainda não é elevada. Neste momento não há segurança nos projectos.

Quantos empresários estão em Angola?

Acerca de 40 mil empresários, cujo desejo era alargar a partir deste ano, mas como surgiu essa situação inesperada vamos ver como serão os próximos meses. Mas o objectivo é aumentar o número de chineses a investir em Angola.

Quais são os principais negócios?

Nesta altura, a Agricultura, Indústria, Construção Civil, Comércio são os sectores que representam a maior carteira de negócios dos investidores chineses.

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