Psicólogo recomenda instrução de valores culturais para reforço comportamental das crianças

Sugere que, aproveitando o estado de emergência, que já dura há cerca de um mês, os pais e encarregados de educação enriqueçam o grau de convivência com os filhos, falandolhes da componente de conhecimentos que a escola não lhes dá, de forma especifica.

Alberto Bambi

O psicólogo Carlinho Zassala aconselha os pais a aproveitarem o período de confinamento familiar para transmitirem valores tradicionais e culturais positivos aos filhos, de modo a aumentarem os subsídios valiosos que contribuam para a adopção de um comportamento mais aceitável na sociedade.

“Porque, muitas vezes, lamentamos dizendo que a geração de hoje tem comportamento inadequado, esquecendo-nos de que o homem é produto na nossa criação, e nós, praticamente, também perdemos os valores e a responsabilidade de passar a mensagem”, disse o académico, tendo acrescentado que os pormenores da nossa tradição que costumam a colocar os nossos filhos na posição de estranheza devem ser explicados.

Recordou que o sistema de ensino vigente em Angola é mais virado para o ensino do que para a educação, alertando, por isso, os encarregados a aproveitarem essa oportunidade de instruir as crianças sobre conhecimentos genuínos, da cultura que assenta na transmissão de geração em geração, normalmente dos mais velhos para os mais novos.

“Então, os pais, consoante as idade dos filhos e servindo-se da tradição oral, devem contar histórias, provérbios e anedotas com carácter pedagógico, no sentido de os seus rebentos ou outros agregados compreenderem a vida cultural dos pais. Segundo ele, isso contribuiria para combater a tendência de se deixar as crianças a forjarem uma cultura livre e diversificada, essencialmente provinda da televisão, das redes sociais e de outras aplicações contemporâneas que, normalmente, refletem cultura de outras paragens fora de Angola e de África.

Daí que se torna ideal e oportuno para fazer com que a criança compreenda os valores da cultura inerentes a humanidade, que exemplificou detalhando que, hoje em dia, as crianças só chamam “irmão do papa” e “irmã da mamã”, não sabendo que, do ponto de vista da nossa cultura africana bantu, esses elementos são denominados pai e mãe, respectivamente. Carlinho Zassala aconselhou, igualmente, a reforçar-se a interacção social entre os membros da família, considerando que, de algum tempo a esta parte, esse protagonismo parece ter sido definitivamente entregue às redes sociais digitais, que, na sua óptica, se dá por vias de interacção gestual e não humana.

Continuando na senda da necessidade da educação de princípios que se devem aprender no seio familiar, contou que há jovens que não entendem aqueles procedimentos tradicionais e culturais quando há pedidos, casamentos, óbitos e outras reuniões familiares, ao ponto de se sentirem como autênticos estranhos no seio da sua própria família.

Reconhecendo que, em condições normais, nenhuma criança é a favor do confinamento familiar, alerta os encarregados de educação para uma dosificação de conteúdos do género que contemple intervalos preenchidos com actividades livres e actrativas dos filhos, a fim de que eles não vejam nessa acção o aumento do tédio que acham estarem a passar.

Manuais com educação cultural

Vendo as coisas no contexto institucional, o académico serviu-se da sua posição como professor para adiantar o desejo de ver conteúdos do género incluídos nos manuais das crianças.

“À medida em que vão ocorrendo as reformas e correcções dos manuais de ensino, deve-se fazer constar nestes um conjunto de matérias de índole cultural enraízadas nas tradições e no leque de normas de convivência típicas dos africanos, em geral, e dos angolanos em particular. Carlinho Zassala pediu para não ser mal interpretado, esclarecendo que, quando defende a inserção de saberes tradicionais e culturais nos livros do ensino primário e secundário, não está a negar a existência de alguns temas soltos que tenham carga do género.

“Mas é mesmo importante, necessário e urgente que a nossa criança termine o ensino secundário com uma consciência de estudante que conhece a sua identidade cultural e lute para afirmá-la e reafirmá-la na sociedade em que se encontrar inserido”, rematou, realçando que o interesse na promoção da produção local ou nacional nasce dessa convicção.

 

leave a reply