Mbondo Chapé

Kumbi dya jikile(*) no Mbondo Chapé . O trânsito era infernal – e as duas amigas, de regresso à casa, acordaram passar pela casa da velha Calesu. A Kambamba, de Malanje e a Eva, de Catete. A Kambamba, rapariga jeitosa nascida no bairro da Mukasa, fugira da guerra – e refugiou-se em Luanda. Amaziou-se com o carpinteiro Fonseca, que conheceu na zona da Fubu, no local chamado de Avó Kalesu. Lá fi cava o tanque de água do senhor Kandenje, tchokwe, que vendia os bidões de 25 lt cada 100 kuanzas. O Fonseca era afamado na área, pois possuía uma massa muscular vistosa. Sempre que via a Kambamba aproximar- se, oferecia-se para carregar os bidões até à casa onde a Kambamba habitava um anexo,com três filhos que trouxera de Malanje. Quanto à Eva. Nascida em Mbanza Mbombo, área de Kaxicane, próximo da margem norte do rio Kwanza, vendia dikussus(**), mussolos(***) e nguingi I(****) no mercado da Lagoa 107. Certo dia, foi conquistada pelo motorista ao serviço da cozinha de um restaurante que servia cacussadas. A proprietária, Dona Zefa do 7, portuguesa dos sete costados, gabava- se: – Estes dikussus têm pai e mãe; não são aqueles que vocês compram em caixas de papelão no Jumbo. Txa !txa !txa! ( risos gerais) Nesse dia, voltavam ( as duas amigas) da sua zunga diária – e desembarcaram não no Mbondo Chapé ponto habitual, mas um pouco mais adiante, porque pretendiam visitar a velha Calesu, uma espécie de guru das suas vidas amorosas. No interior da casa da velha Calesu havia um pequeno negócio de fundo do quintal, frequentado por jovens,maioririamente kunanga . Um ou outro trabalhava no privado, em borracheiras, ofi cinas mecânicas – e até um funcionário das fi nanças a frequentava: – este ano aqueles aí da Febre Amarela(Petro Atlético de Luanda) vão ver bilha !- Xé ! Vucês da OMA (Clube 1º de Agosto) só ganham com batota !!! Vamu mbora acabar essa discutição; Vamu mbora chupar as nossas birras ! – Chegou o moralista da UNITA. – Não ! Este aí é militante do MPLA infi ltrado na UNITA !!! – Éééé !( surpresa geral). Começou uma zaragata dos diabos. Foi nesse momento, que a Kambamba e a Eva chegaram para a visita aprazada. – Passem por aqui, minhas fi – lhas ! -comandou a velha Calesu, introduzindo-as de seguida no cômodo principal da casa. – Não liguem, minhas fi – lhas, já estou acostumada. -A mãe têm que pôr aqui um homi para pôr respeito. – Está bem, mas é quê que vos fez vir hoje? -Viemos falar assunto sério. – O quê? Corvina? Doença chama Corvina?!!! -Não !!! Co -ro- na -vi-rus.- disseram em uníssono as amigas, que foram, fi nalmente, convidadas a sentar-se…

Por:KAJIM BAN-GALA

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