Município do Curoca teme dias difíceis por falta de alimentos

O administrador do município do Curoca, província do Cunene, Mbamby dos Santos, apelou ao Governo central e aos parceiros sociais a redobrarem a assistência alimentar às comunidades desta circunscrição, para se evitar uma penúria alimentar

Por:Maria Custódia

O apelo foi lançado ontem, falando a OPAÍS, quando fazia o ponto da situação sobre a segunda prorrogação do estado de emergência, que passou a vigorar desde o dia 26 de Abril e vai até 10 de Maio do ano em curso. Mbamby dos Santos informou que os alimentos da cesta básica fornecidos pelo Governo e pelos parceiros sociais às comunidades necessitadas estão a esgotar- se nos armazéns, pelo que urgem mais reforços, tendo em conta a limitação da locomoção das pessoas em busca de alternativas, em obediência ao estado de emergência nacional.

Acrescentou que com o alargamento do estado de emergência não haverá alimentos suficientes para acudir a situação das comunidades mais necessitadas, sobretudo a comunidade Vátua, maioritariamente nómada. Informou que, apesar das ajudas pontuais do Governo, devido à sua especificidade geográfica (terra árida e sequiosa), o município do Curoca enfrenta estiagem prolongada, nos últimos anos, que tem dificultado o cultivo de alimentos. Alertou que caso a situação não seja resolvida atempadamente, prevê-se o agudizar da fome e da seca, tendo apontado os meses de Junho a Agosto como sendo os mais difíceis para a circunscrição que dirige. “O nosso grito de socorro vai para o Governo central e para os seus parceiros sociais para que continuem a nos apoiar naquilo que sempre fizeram por estas comunidades”, disse.

Comunidades nómadas

Em conversa com OPAÍS, o administrador apontou as comunidades nómadas, com realce para os Vátua, como sendo os que mais sofrem com este confinamento social, devido ao seu modo de vida, que consiste em andar de um lugar para o outro a procura de alimentos, sobretudo frutos silvestres. Para se evitar a violação das normas do estado de emergência nacional, pelas comunidades nómadas, a Administração Municipal do Curoca (AMC) apoiou com alguns produtos da cesta básica, de modo a evitar que as mesmas continuem a deslocarse de um lado para o outro.

Prevenção da Covid-19

Sobre a observância das normas de estado de emergência, o entrevistado deste jornal explicou que a população que dirige está a cumprir, mas necessita de produtos de higienização como álcool gel, sabão, água, luvas e máscaras, como recomendam as autoridades sanitárias do país e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar da escassez destes produtos indispensáveis para a prevenção do contágio do novo Coronavírus (SARS-CoV-2), as autoridades locais continuam a sensibilizar as comunidades sobre o perigo que representa apandemia da Covid-19 para a vida humana.

Furos da água

Para minimizar a gritante procura da água nas comunidades, Mbamby dos Santos disse que foram reabilitados 22 furos, assim como algumas chimpacas, que permitiram armazenamento de uma quantidade de água para responder à procura na época do Cacimbo.

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