Administração Trump ‘devolveria’ EUA a acordo nuclear para pressionar Irão

O Presidente norte-americano, Donald Trump, retirou, unilateralmente, o país do acordo nuclear JCPOA com o Irão, em 2018, e se recusou a levantar as sanções mesmo em plena pandemia da Covid-19

Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, está a propor à sua Administração para apresentar argumentos legais em como os Estados Unidos ainda fazem parte do acordo nuclear de 2015 com o Irão, embora Donald Trump tenha revogado a participação dos EUA em 2018, informou no Domingo (26) o jornal The New York Times. Segundo o relato, as medidas poderiam ser parte de “uma estratégia complexa para pressionar o Conselho de Segurança das Nações Unidas a estender o embargo de armas a Teerão”, após o término da actual proibição em Outubro, ou uma medida que possa resultar em sanções ainda mais duras para o Irão.

Segundo o alegado plano, a Casa Branca afirmaria que, legalmente, os EUA ainda fazem parte do acordo nuclear de 2015 com o Irão, e essa resolução poderia contornar a oposição da Rússia e da China. Isso poderia significar que, caso o embargo de armas não seja renovado, os EUA poderiam aplicá-lo a partir da sua posição de signatário, permitindo que a Casa Branca restabeleça as sanções impostas a Teerão antes da assinatura do acordo de 2015. “Não podemos permitir que a República Islâmica do Irão compre armas convencionais em seis meses”, disse o secretário de Estado. “O Presidente Obama nunca deveria ter concordado em acabar com o embargo de armas da ONU.” “Estamos preparados para exercer todas as nossas opções diplomáticas, para garantir que o embargo de armas permaneça no Conselho de Segurança da ONU”, declarou Pompeo, de acordo com o The New York Times.

Hostilidade entre os dois países Anteriormente, Pompeo exortou a ONU a estender o embargo de armas contra o Irão, criticando Teerão pelo seu recente lançamento espacial, chamando o programa espacial de “nem pacífico nem inteiramente civil”. Ele também sugeriu que “jamais um país tentou obter a capacidade de mísseis balísticos inter-continentais a não ser com o propósito de lançar armas nucleares”. Na Quarta-feira (22), Trump anunciou ter dito que a Marinha dos EUA deveria “abater e destruir todos e quaisquer barcos de guerra iranianos se hostilizarem os nossos navios no mar”, uma acção que levou o chefe do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC), Hossein Salami, a retribuir com a ameaça de uma “resposta esmagadora” que se seguiria a acções hostis contra navios iranianos.

O Irão e outros países, juntamente com alguns legisladores norteamericanos, têm instado repetidamente a Administração Trump a levantar suas sanções, pois elas tornam extremamente difícil para Teerão e países vizinhos retardar a propagação da pandemia da Covid-19. A Administração actual, ao invés disso, insistiu que as sanções não impedem o Irão de receber ajuda humanitária ou suprimentos médicos. As relações entre o Irão e os EUA pioraram após a retirada por Trump do país, em Maio de 2018, do acordo nuclear Plano Conjunto de Acção Integral (JCPOA), assinado em 2015. As tensões se intensificaram após o assassinato do general Qassem Soleimani em Janeiro de 2020, por ordem do Presidente norte-americano.

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