Covid-19 força OMS a adiar mega campanha de vacinação

A Organização Mundial da Saúde (OMS) adiou a realização da Semana Africana de Vacinação, um evento realizado anualmente em Abril com o propósito de vacinar crianças menores de cinco anos, em consequência da Covid-19

A suspensão ocorre numa altura em que mais de 30 milhões de crianças africanas com menos de cinco anos adoecem e 500 000 morrem devido a doenças evitáveis pela vacinação, anualmente, segundo um comunicado desta agência das Nações Unidas enviada ao OPAÍS. A decisão visa impulsionar o cumprimento das medidas de confinamento impostas pela maioria dos países, tal como o distanciamento físico. No entanto, a organização garante, num documento a que OPAÍS teve acesso, que, assim que a transmissão da Covid-19 for contida, uma das suas prioridades consistirá na intensificação de actividades de vacinação suplementares de forma a garantir a cobertura vacinal de todas as comunidades, sobretudo as de maior risco.

Ao longo dos últimos nove anos, as actividades realizadas neste âmbito permitiram vacinar mais de 180 milhões de pessoas. “Mesmo em tempos de crise, devemos continuar a garantir a prestação de serviços de vacinação sistemática como parte integrante dos serviços de saúde essenciais. É preciso, agora mais do que nunca, aumentar os investimentos destinados à investigação e ao desenvolvimento de vacinas”, lê-se no documento. Diz que graças às acções levadas a cabo pelo Fórum Africano de Regulamentação das Vacinas, as comunidades têm cada vez mais rapidamente acesso a vacinas seguras e eficazes. A título de exemplo, conta que depois de passarem o processo de pré-qualificação da OMS em Novembro de 2019, países como o Burundi, o Gana, a Guiné, a República Democrática do Congo e a Zâmbia precisaram apenas de 90 dias para aprovar a introdução da vacina contra o Ébola desenvolvida pela Merck.

No entanto, recomenda aos países africanos realizarem ensaios clínicos que cumpram os padrões internacionais, de forma a garantir que os produtos produzidos estão adaptados às necessidades regionais. Por outro lado, considera que a transferência de tecnologia deverá permitir aumentar a produção de vacinas nos países africanos e reduzir a dependência do continente no que diz respeito à importação desses produtos essenciais. Declarou que as 500 mil crianças africanas com menos de cinco anos que morrem anualmente devido a doenças evitáveis pela vacinação representam 58% dos óbitos imputáveis a essas doenças a nível mundial. “O crescimento populacional tem dificultado os progressos da cobertura vacinal, cujo alcance continua nos 76% na Região Africana, bem longe dos 90% estabelecidos como objectivo”, diz.

Os líderes dessa organização entendem que para reforçar a cobertura vacinal há a necessidade de se consolidar os serviços de saúde essenciais, de forma a desenvolver sistemas de saúde resilientes. “A forma mais eficiente de o fazer é através de sistemas de cuidados de saúde primários sólidos, que permitirão, igualmente, realizar progresdr Criança a ser vacinada contra a Febre Amarela por uma técnica dos Serviços de Saúde das Forças Armadas Angolanas sos na consecução da cobertura universal de saúde”. Diz ainda que para proteger as comunidades contra surtos de doenças evitáveis pela vacinação nestes tempos sem precedentes, tem apelado aos países a manterem os seus serviços de vacinação sistemática, usando abordagens inovadoras e aplicando fortes medidas de prevenção e controlo de infecções nas unidades de saúde. Desde 2001, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aproveita a última semana de Abril para celebrar a Semana Africana da Vacinação, em uníssono com a Semana Mundial da Vacinação. Este ano as actividades têm como tema “Todos Protegidos: As Vacinas Funcionam!”.

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