Direcção de Zeca Moreno encontrou uma dívida de cerca de kzs 13 milhões na UNAC-SA

A actual direcção da União Nacional dos Artistas e compositores – Sociedade de Autores (UNAC-SA) revelou a OPAÍS ter encontrado um saldo de apenas Kzs 2 milhões, que serviu para arrancar com o funcionamento da instituição. Do plano acção para os 100 primeiros dias, por conta da Covid-19, não houve cumprimento total

Por:Adjelson Coimbra

A actual comissão directiva da União Nacional dos Artistas e Compositores – Sociedade de Autores (UNAC-SA) encontrou uma dívida em nome da organização de aproximadamente Kzs 13 milhões e 700 mil, segundo avançou exclusivamente a OPAÍS o seu líder, Zeca Moreno. Esta informação consta num relatório que a direcção, encabeçada por Zeca Moreno, fez dos cem primeiros dias desde o o seu empossamento, a 3 de Dezembro de 2019, depois de vencer as eleições da UNAC, que vinham adiadas cerca de 3 anos, por causa de inconformidades apresentadas pela lista adversária, conforme apontavamno processo eleitoral. Além disso, a comissão directiva verificou que a organização não tem fontes de receitas para a sua auto-sustentação, resultante do corte dos duodécimos que o Governo, através do Ministério da Cultura, atribuía nos anos passados.

Apenas Kzs 2 milhões foi o saldo bancário dev que UNAC dispunha, que serviu para dar corpo ao funcionamento da instituição ao longo dos primeiros meses de funcionamento, de acordo com Zeca Moreno. Por seu turno, um dia após o novo corpo directivo ter tomado posse, elaborou um programa de acção para os cem primeiros dias. Este programa de acção foi realizado com algumas dificuldades devido a carências de váriasordem UNAC. Apesar dis- A actual direcção da União Nacional dos Artistas e compositores – Sociedade de Autores (UNAC-SA) revelou a OPAÍS ter encontrado um saldo de apenas Kzs 2 milhões, que serviu para arrancar com o funcionamento da instituição. Do plano acção para os 100 primeiros dias, por conta da Covid-19, não houve cumprimento total so, Zeca Moreno faz um balanço positivo deste período.

Realizações

Ao longo dos 100 primeiros dias foi possível criar condições para que os filiados da instituição se debruçassem sobre o conteúdo do seu estatuto e, assim, foi realizada a primeira assembleia geral extraordinária da UNAC, em que foi aprovado um novo estatuto, ajustado à legislação em vigor. Os representantes provinciais da UNAC cessaram os seus mandatos, foram constituídas comissões de gestão nas províncias de Benguela, Huambo, Cabinda e Malange. Estão por se constituir comissões na Huíla e no Uíge, para que se possa criar condições organizativas para o processo eleitoral. “É nossa obrigação que as representações da UNAC nas províncias não devam ser nomeadas, mas sim devam ser eleitas pelos filiados que vivem nessas províncias.

Nesta perspectiva, como Luanda também é uma província, embora seja capital, preconizamos, nos próximos tempos, a eleição da direcção da UNAC em Luanda, para que a Comissão Directiva Nacional tenha o seu foco nacional e internacional”, acrescentou o guitarrista Zeca Moreno. Durante os 100 dias, a actual direcção apresentou à ex-ministra da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, propostas através de um memorando, a que aguarda que seja dado o devido tratamento. Aprovou-se o regulamento para a carteira profissional dos artistas, que estava desajustado. Está nomeada uma nova comissão para atribuição da carteira do artista. “Neste momento, estamos a ultimar as condições para a criação do portal digital da UNAC.

É um processo que já está bastante desenvolvido. E acreditamos que nos próximos dias essa actividade seja concluída”, revelou. Zeca Moreno avançou ainda que a UNAC estabeleceu contacto com a CISAC (Confederação Internacional de Sociedades de Autores e Compositores) e com a OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual), instituições internacionais que lidam com a cobrança dos Direitos de Autor e Conexos. Por sua vez, a UNAC participa numa acção formativa que está a ser ministrada on-line pela OMPI, no sentido de capacitar as pessoas que virão, no futuro, a dirigir essa área dos Direitos de Autor e Conexos. “

A UNAC já solicitou e pagou a licença para a cobrança dos direitos de autor, o que nunca tinha acontecido. Estamos a criar condições para o registo das obras dos nossos associados, para que esses venham a estar habilitados a receber os proventos resultantes do uso público das suas obras, no domínio do Direito do Autor e Conexos”, garantiu. Entretanto, Zeca Moreno lamenta o facto de a pandemia da Covid-19 ter afrouxado as actividades da instituição, impedindo que muitas realizações fossem concretizadas. “Não se fez mais durante os cem dias por factores limitativos alheios à vontade da UNAC e que têm a ver fundamentalmente com a Covid-19, que estrangulou a UNAC e a economia mundial e restringiu o movimento da população no mundo. Mas é óbvio que tão logo esse contratempo seja ultrapassado, muitas realizações que temos em agenda venham a ser realizadas”, prometeu.

Projectos

No âmbito da auto-suficiência da organização, a direcção da UNAC preparou um projecto para apresentar brevemente a actual ministra da Cultura, Tu rismo e Ambiente, Adjany Costa, relacionado com o aproveitamento das instalações da tourada para realização de actividades culturais e recreativas. “Temos também em carteira a criação de um palco itinerante, ou seja, que não se restrinja apenas na província de Luanda, mas que seja abrangente para as demais províncias e numa primeira etapa esse palco vai visitar cinco províncias de Angola. Está-se a negociar um patrocínio para que este palco possa ser implementado tão logo se permita fazer eventos com aglomerados”, partilhou. Com este palco, a direcção de Zeca Moreno pretende divulgar a Cultura de Angola através da música, teatro e dança, bem como que se fazer conhecer os novos valores artísticos. Ainda se vai aproveitar o espaço de variedade para a divulgação dos produtos produzidos em Angola.

leave a reply