Presidente do PT, Gleisi Hoffmann, defende afastamento de Bolsonaro

A presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, declarou acreditar existirem “crimes de sobra” para fundamentarem o afastamento de Bolsonaro da chefia do poder executivo e declarou que “com Bolsonaro não dá para seguirmos

 

Em conversa com a Sputnik, a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, declarou ser favorável à abertura de um processo de impeachment contra o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. “Nós vemos ilegalidade de sobra para accionar qualquer mecanismo de retirada de Bolsonaro”, declarou Hoffmann, classificando o Presidente de “criminoso”. “Ele já cometeu inúmeros crimes: crimes de responsabilidade, crimes comuns e crimes eleitorais. Portanto, temos um rol farto de crimes que dão base para que ele deixe de ser Presidente”, declarou, lembrando que “as condições políticas institucionais que vão viabilizar esse afastamento”.

Para ela, o Presidente do Brasil “não cumpre o papel de coordenador de todos os Estados federativos no enfrentamento à crise” e, “ao invés de juntar a nação para fazer esse enfrentamento, ele aposta na divisão”. “[Bolsonaro] aposta no caos para talvez poder lá na frente propor um fechamento do regime e uma concentração de poder nas mãos dele. Isso é muito preocupante”, declarou Hoffmann. Alertando que a retracção económica pode levar à volta da fome no país, Gleisi Hoffmann acredita que a pandemia pode gerar levantes populares no Brasil. “Nós vamos entrar numa depressão com as mortes que teremos, e é bem possível que a resposta popular venha nesse sentido”, ressaltou. “A economia brasileira e a renda no Brasil estão a sofrer muito. O próprio Fundo Monetário Internacional [FMI] disse que o Brasil vai ter o PIB negativo em mais de cinco pontos percentuais. Isso é uma tragédia.” Para ela, as medidas de protecção social adoptadas pelo Governo Bolsonaro são insuficientes. “As medidas que o Governo está a tomar agora para resguardar o emprego, a renda e o serviço de actividades das empresas são medidas muito tímidas”, lamentou.

Sanções económicas

Ao tratar da política internacional, a presidente do PT defendeu que sanções económicas devem ser retiradas, para que os países possam ter recursos suficientes para combater a Covid-19. “As sanções económicas devem ser suspensas. Para mim, não só na epidemia, porque […] quem sofre é o povo […] desses países, e isso é muito triste”, lamentou. No entanto, esses mecanismos, muitas vezes impostos de forma unilateral por poténcias económicas como os EUA, são particularmente prejudiciais durante a pandemia de Covid-19. “Numa época […] de pandemia como essa, é uma crueldade – eu diria que é um crime […] as sanções impostas à Venezuela, a Cuba.

Temos denunciado isso e nos temos solidarizado com os povos desses países”, disse. Em Março, os representantes permanentes das Nações Unidas de países como Rússia, China, Síria, Cuba, Coreia do Norte, Irão, Nicarágua e Venezuela enviaram uma carta ao secretáriogeral da instituição, António Guterres, solicitando o fim das sanções económicas unilaterais, em função da pandemia de Covid-19. No entanto, uma resolução nesse sentido apresentada pela Rússia à Assembleia Geral da ONU foi bloqueada na semana passada, em função da oposição dos Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Ucrânia e Geórgia.

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