Táxis em Luanda: só entra quem tem máscara

Taxistas em Luanda levam à risca a obrigatoriedade do uso individual da máscara, uma das medidas de prevenção da transmissão da Covid-19, sob pena de serem multados ou terem os documentos retidos pela Polícia. Passageiros que não se apresentem com a máscara são deixados na paragem

Por:Romão Brandão

A nova prorrogação do estado de emergência, que começou no último Domingo, 26, trouxe consigo a obrigatoriedade do uso da máscara, um item que ajuda na protecção individual, uma vez que o novo Coronavírus tem também a boca e o nariz como portas de entrada. Nas duas primeiras quinzenas de estado de emergência o uso da máscara estava a ser desprezado por boa parte dos cidadãos, tendo, em alguns pontos da cidade, sido registadas pessoas que transportavam a máscara no queixo ou na testa, por estarem cansadas de tê-la sobre a boca e o nariz, por exemplo. Ontem, 27 de Abril, numa pequena ronda do jornal OPAÍS, entre o Benfica e o Ramiros, registamos um cenário diferente e o quão importante se tornou esse objecto (a máscara), pois todo e qualquer passageiro de táxi tinha de, obrigatoriamente, apresentar, para além do dinheiro para pagar a passagem, a máscara.

Diferente de Domingo (o dia que começou a terceira quinzena emergencial), na Segundafeira, por ser o primeiro dia de trabalho de muitos cidadãos, os taxistas tiveram de intensificar o cumprimento desta obrigatoriedade, sob pena de “a culpa cair” sobre eles, já que o passageiro sem máscara dava “apreensão da viatura ou multa”. “Sem máscara, não sobe”, era esta a orientação que o cobrador dava aos passageiros, caso o carro viesse a parar. Caso não, durante o percurso, ao ver que o passageiro não se fazia apresentar com a máscara, o táxi nem sequer parava. “Todos os taxistas estão a ser obrigados a parar na Antena (depois da paragem do Museu) para o polícia averiguar se todos os passageiros usam máscara.

Quando vinha ao Ramiros, quase fui multado porque um dos passageiros estava sem a máscara. A sorte é que tinha uma máscara de reserva no porta-luvas”, conta Man Tona, da Staff “Fala Angola”.Aquele cidadão disse ainda que boa parte dos seus colegas estão a ser obrigados a desembarcar a viatura, por terem passageiros sem a máscara, sob a ameaça de que o carro seria levado ao comando da Polícia. Ele defende que o taxista não devia ser prejudicado pela negligência do cidadão/passageiro, pois quem devia ser multado ou detido era este, que não se fez acompanhar da máscara, numa altura em que foi decretado que o seu uso é obrigatório.

Procura faz disparar preço da máscara

O facto de a ninguém ser permitido entrar num táxi sem a máscara fez disparar o preço deste produto, para além de levar a que estabelecimentos comerciais que não vendem máscaras, passassem a vendê-las. Na paragem do Benfica (para os carros do Gamek), por exemplo, um estabelecimento de venda de materiais de cozinha comercializava a máscara cirúrgica descartável a 800 Kz. A escassos metros da mesma paragem, dentro da Praça das Pedrinhas, a máscara feita de pano africano, que anteriormente custava 100 Kz, passou a ser comercializada a 350Kz. Entretanto, nos arredores da praça as alfaiatarias registaram uma enchente fora do normal, só de pessoas que aguardavam pela feitura da máscara que lhes permitisse apanhar um táxi. Neste espaço a máscara estava a ser feita a 500Kz.

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