“O distanciamento social mostrounos a relevância do ensino à distância”

Como forma de ocupar o tempo dos alunos e dar continuidade às aulas, a Alliance Française de Luanda (Associação Franco -Angolana), implementou as aulas de francês e de português à distância (online). O director, Paul Barascut, em conversa com OPAÍS, realçou que com a implementação desta medida e o sucesso que dela decorre, pretende-se continuar após a reposição social

Por:Antónia Gonçalo

A Alliance Française de Luanda disponibiliza conteúdos culturais na sua página na Internet para tornar o período de confinamento mais desenfadado aos cidadãos. Sobre as realizações presenciais depois desta fase, o responsável avançou que, numa primeira etapa, pretendem trabalhar com artistas locais, uma vez ser missão da instituição no país.

Várias instituições culturais no país viram-se “forçadas” a encerrar os espaços devido ao confinamento social, como forma de prevenção do novo Coronavírus. Como tem sido este processo para a Alliançe Française de Luanda?

Do ponto de vista da programação cultural, tivemos de suspender as actividades agendadas, mas, em contrapartida, temos trabalhado na divulgação dos conteúdos culturais e formação em línguas, via online, acessíveis, para incentivar as pessoas a ficarem em casa. Foi numa altura em que estávamos a celebrar o Mês da Francofonia, Março, e tivemos de cancelar as actividades programadas. Por exemplo, viria para o efeito uma jovem cantora da República Democrática do Congo para concertos, teríamos contador de histórias, cessão cinematográfica e uma série de eventos interessantes que, assim que possível, daremos o devido tratamento.

Que conteúdos preenchem a página online actualmente?

O nosso catálogo cultural francófono online que foi liberado gratuitamente ao público angolano está preenchido com milhares de concertos, álbuns, bandas desenhadas e tem tido muita adesão e o pessoal está a aproveitar bastante.

Como serão implementadas as actividades culturais depois deste período?

Não sei como serão as coisas, mas, se por acaso for abolida a situação de emergência, acredito que não serão permitidas reuniões com grande número de pessoas. Nos outros países, por exemplo, as pessoas foram autorizadas a sair depois do confinamento social, mas, ainda assim, não foi permitido grandes aglomerações de pessoas. Então, vamos depender da decisão do Governo, porque, se ele julgar ser possível organizar manifestações com o público, com certeza vamos retornar com as nossas actividades, uma vez ser nossa missão e vocação. Mas, ainda assim, teríamos de aguardar e dar um pequeno tempo de precaução, para ver as coisas a serem reestabelecidas.

Como pretendem começar

O nosso foco, evidentemente, num primeiro momento, que também faz parte do DNA da Alliance, é de trabalhar com artistas angolanos. Pois, a dificuldade de coacção entre os países não será restabelecida tão cedo. Por isso, temos dessa dificuldade uma oportunidade para trabalhar mais com os artistas locais. Logo que podermos retornar, vamos reprogramar nos próximos meses as actividades presenciais, assim como a formação de línguas, com base na comunicação governamental, porque vamos obedecer as instruções que nos serão dadas. A nossa ideia é de recomeçar a nossa temporada cultural com os artistas com quem trabalhamos ao longo dos últimos anos. Com eles, vamos aproveitar a dar continuidade e celebrar a francofonia, que viu 90% das actividades canceladas, devido à presente situação.

Em termos de formação de línguas, como está a decorrer?

Como tivemos de fechar a escola depois da implementação do decreto presidencial, foi um pouco complicado para nós conseguir os contactos dos alunos para este processo. As aulas, de uma certa forma, foram interrompidas, mas, depois, calculamos que 80% dos nossos alunos estavam equipados e tinham acesso à Internet. Começamos praticamente do zero, mas na semana seguinte havia já cursos a acontecer, o que, depois, foi progressivo. Retornamos com a realização de aulas de francês e português no WhatsApp e outras aplicações, o que facilitou o processo, usado em tablet, celulares e computadores.

Qual é a média de alunos com acesso ao WhatsApp?

Este processo engloba mais de 300 alunos, maioritariamente angolanos, que estão a beneficiar de aulas à distância. A maior parte deles são jovens estudantes, que facilmente têm acesso a estes meios. Tudo temos feito para que todos possam estudar mesmo estando em casa. Aproveitamos ainda com estas ferramentas fazer matrículas de pessoas interessadas. Por isso, dissemos que essa crise foi, para nós, de certa forma, uma grande oportunidade de evoluir mais rapidamente, pela força dos eventos e acontecimentos.

E os alunos que não estão a beneficiar das aulas, como ficam?

Temos sim alunos que neste momento não beneficiam das aulas, por falta de meios, como Internet, uma vez que a sua implementação depende de tecnologias, tanto para os professores como para os alunos. Mas, esse não é motivo de preocupação, porque a nossa intenção é de acabar os módulos com todos os alunos. Ninguém sairá prejudicado. Quando retornarmos com as aulas presenciais, vão acabar com os módulos, de forma regular.

Tão logo seja reposto o funcionamento social, as aulas passarão a ser de forma presencial?

Vamos continuar também a preparar o uso online, porque, percebemos que havia uma necessidade deste modelo de aulas. O que acontece é que antes da crise pensávamos que não era tão necessário, e, também, tínhamos outras problemáticas mais urgentes. Só que agora percebemos que é possível e acreditamos ser uma modalidade a ser utilizada.

Então, vão expandir este modelo, de ensino à distancia, ao nível do país?

Sim! Por exemplo, nas províncias onde não temos docentes, ou, por exemplo, para aqueles cidadãos que se encontram isolados por algum motivo, como em várias plataformas petrolíferas, que às vezes ficam muito tempo sem tarefas para desempenhar, sem acesso a esse tipo de formação, por ser presencial. Claro que traz outros desafios, porque é um formato de aulas diferente, mais complexo, mas é um trabalho que funciona.

 

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