A massificação do diálogo desalmado na esteira da juventude angolana

Começaríamos por felicitar o Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, pela aposta contínua, embora não seja novo e sem com outra dinâmica, na juventude em Cargos de Chefi a. Contudo, que a referida continuidade esteja à margem de dose de subjectividade. Que seja inclusiva e substanciada em perfi s que entendam que o país é um projecto de todos angolanos, em que a máxima seja “servir a pátria como um todo e não as moléculas soltas que impedem que dialoguemos desalmado,para que os erros do passado não se repitam. Para que a mesma se efective, é preciso que seja encarada como um acto de cidadania. Outrossim, que o Poder seja para maximizar valores do patriotismo. Porém, saltam-nos à vista retóricas, Se os jovens de ontem não lutassem destemidamente pela independência. Por que razão não se encontra uma data de Juventude que reúna os diferentes segmentos sociais. Por exemplo, reza a história que Rei Mandume morreu jovem. O tempo por gerar mudanças, não podemos e não temos forças para segurar as evoluções. As mesmas são como uma Nação”. É sabido que os todos os processos da nossa história semcomo os ventos e acontecem lentamente; outras vezes como tempestade, bruscamente. Hoje os desafi os são outros e inovadores, a formação, o comprometimento e a cultura científi ca são algumas das apostas para se solucionar os variados problemas que enfermam o país. Daí que, precisamos reestruturar a conjuntura, a estrutura e a funcionalidade dos modus operandis da juventude. Pois que, antes das nossas diferenças, culturalmente somos de uma só árvore genealógica. Portanto, as discussões de quem sugeriu; de quem arranjou ou não é inoportuna, uma vez pre contou com a entrega abnegada da juventude nos distintos estágios de afi rmação cultural, política, social, econômica, acadêmica e patriótica. A nossa história recente, mesmo com as suas costuras, remete- nos para uma refl exão conjunta e sem rótulos para que possamos perceber o que falhou na construção do país como Nação. Somos chamados pelos desafi os modernos abandonar navegação divisionista: de intrigas partidarizadas, regionais, tribais, ideológicas à cega, que impossibilitam a circulação patriótica. É peremptório que comecemos a lançar as sementes da cultura do diálogo desalmado, que o desejo selvagem de se ter razão é que nos tem dividido como Nação. É lamentável a postura de alguns jovens, ao serviço da instrumentalização partidária, religiosa, cultural, a servirem-se das redes sociais, meios de comunicação com discursos expurgatórios que por cobardia; por paternalismo utópico; por ganância ou fome desmedida discutem futilidades e defendem desonestidades. A juventude deve servir os interesses do país e não o umbigo de determinados grupos.

HAMILTON ARTES *Escritor e Crítico Literário

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