Associação dos Grupos de Danças de Angola prioriza formação e investigação contínua dos artistas

O presidente (em exercício), Associação dos grupos de Danças de Angola (AgruDANÇA), Adriano de Freitas, insta a classe a investir na formação e na investigação científica da dança, de modo a que venha a atingir o almejado profissionalismo

Por:Antónia Gonçalo

Adriano de Freitas fez tais considerações em prol do Dia Mundial da Dança, que se assinalou ontem, 29. E conversa com OPAÍS, disse que, apesar dos incentivos, tem notado pouco interesse por parte dos grupos, cerca de 30, adstritos a associação criada em 2018 Para si, a presente data deve servir para reflexão constante, sobre o legado que se pretende deixar com esta arte no país. Por isso, considera necessário ter consciência, valorização e interpretação académica e artística, isso, por observar a arte como fonte de desenvolvimento artístico e de intelectualidade.

“Alguns reconhecem o papel da associação, mas outros ainda pensam que sozinhos trabalham melhor do que associar-se para poder desenvolver. Então, estamos nesta luta e pretendemos convencê-los de que juntos e com a aposta na formação e investigação científica da dança podemos render mais”, disse. Entre os vários objectivos da associação, para além do profissionalização e a questão científica e de pesquisa, constam a criação de núcleos artísticos distritais, a nível dos municípios, para maior registo do número de grupos existentes em cada município, para assim poderem, cada vez mais, actuar.

Para além de funcionarem no município do Cazenga e no distrito do Rangel, estiveram recentemente no Sumbe (Cuanza- Sul), onde realizaram o cadastramento de grupos e incentivo para a criação da associação local. Razão pela qual considera vantajoso o papel da associação, pelo facto de ainda permitir o intercâmbio com os demais membros. “Pretendemos que os grupos ganhem mentalidade de que a dança deve ser feita de forma científica e profissional. Para ganhar dinheiro através dela, temos, primeiro, que estudar, investigar e criar projectos. Essa é a nossa linha de pensamento”, avançou. Disse ainda que o programa anual de trabalhos de campo de sensibilização está no momento parado, devido ao confinamento social, mas darão sequência dos seus desafios após o período que o país regista de situação emergencial.

Grupos associados

O responsável realçou que a maior parte dos grupos de dança no país encontra-se em fase embrionária, que é o período de consciencialização da própria classe artística, que, segundo ele, difere de outras, como a música, teatro e artes plásticas, que são mais concebidos, por entender-se a forma científica de fazê-lo. “Infelizmente, na dança, pouco ainda está no aparato científico, porque muitos trabalham com base no empirismo. Por isso digo que estamos ainda na fase de estruturação dos próprios grupos, para perceberem melhor o papel da associação e as suas vantagens”, observou.

Dança e empreendedorismo

Adriano referiu que a associação pretende fazer da dança, do ponto de vista do empreendedorismo, rentável, com a criação de jornadas científicas artísticas, em que pretendem mostrar ao empresariado os benefícios publicitários em eventos. “Por isso digo que dançar em casamentos não é o foco para um grupo de dança. Noutros países, como no Brasil, os dançarinos são convidados todos os meses para dançar em festivais municipais, provinciais e ganham muito com isso. Por isso,é o nosso objectivo macro”, finalizou.

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