Belo Jazz

O mais livre de todos os estilos musicais é celebrado hoje, o Jazz. Em Angola, ele tem muitos rostos, muitos nomes, uns mais velhos, outros mais novos, uns acabados de chegar, talvez apenas de visita, e outros feitos amor eterno. Em todos eles um toque especial de um outro nome, de um outro rosto, por aproximação ou por distanciamento, por amizade, por mera referência ou por crítica: Jerónimo Belo. Belo Jazz, digo eu. Há quem mais se bata pelo Jazz em Angola? Há quem o acompanhe, certamente, haverá quem acerte mais vezes, quem tenha mais recursos, mas é difícil quem lhe conheça tão bem as desordenadas e indisciplinadas notas. Hoje é Dia do Jazz. Em Angola o Jazz é mais belo, afi nal, não é por aqui mesmo que se diz estarem as suas raízes? Jazz é também algodão, cana-de-açúcar, escravatura, salão, é judeu, é negro. Tirando o seu lado judeu, ou mesmo o da máfi a que se lhe associa no início da sua expansão, é negro, o tal daqui levado para os campos americanos. Esta é a parte feia de uma grande história, mas nada há de mais glorioso do que a transformação do feio em belo, quando afi – nal é apenas o desabrochar, a beleza sempre lá esteve. E Angola tem agora a felicidade de ter um homem que vive com paixão o Jazz, que se bate por ele, que o divulga, que já fez discípulos imensos, que nem ele próprio sabe contar. Hoje é o Dia do Jazz, do Rasgado, da Afrikkanitha, da Aya, do Garnacho, do Cinedima, do Nanuto, do Ndaka, enfi m, é dia da alma. Há confi namento, e nem de propósito, algum deus melómano conspirou para este momento. Que cada um tire cinco minutos de jazz, um belo sopro de vida. Giant Steps, John Coultraine, e depois vá falar com o Jerónimo.

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