Dificuldades no acesso aos mercados encarece produtos agrícolas

O feijão, a batata-doce, rena, tomate, cenoura, as verduras, nomeadamente a gimboa, couve e a rama de batata-doce estão entre os produtos do campo cujo preço sobe cada vez mais nos mercados informais de Luanda, como resultado do difícil acesso aos mercados abastecedores

Por:Brenda Sambo

Com vista a prevenir a propagação da pandemia Covid-19, os mercados de Luanda passaram abrir três vezes por semana: Terça, Quinta-feira e Sábado. Todavia, as vendedoras de alguns mercados paralelos do município de Luanda queixam-se das dificuldades que enfrentam para a aquisição dos produtos do campo. Numa ronda efectuada por OPAÍS nos mercados da Boa Esperança, em Viana, e no mercado do Calemba II, em Talatona, na Terça-Feira, constatou-se a subida de preços de alguns produtos do campo, entre eles a batata-doce, a batata rena, tomate e cenoura, bem como as verduras, nomeadamente a couve e o repolho.

Produtos cada vez mais caros nos mercados

O feijão, as batata-doce e rena, o tomate, a cenoura, as verduras (gimboa, couve, repolho, rama de batata- doce) estão entre os produtos do campo cujos preços mais sobem nos mercados informais de Luanda, apesar da subida excepcional verificada no volume da sua produção. As vendedoras queixam-se do difícil acesso aos pontos de produção, por causa das medidas que visam evitar a propagação da Covid- 19. A batata-doce, por exemplo, está a ser comercializada no valor de 1000 kwanzas, contra os Kz 500 anteriores, por quilo, enquanto o monte que custava 250 kwanzas passou a Kz 500.

A batata rena está a ser vendida a monte Kz 500 o monte, contra os 250 kwanzas anteriores, ao passo que um quilo de feijão “espera cunhado” está a ser comercializado no preço de 1.300 kwanzas, enquanto o feijão manteiga custa agora 1.500 kwanzas. Das verduras, um monte de gimboa, por exemplo, está a ser comercializado a Kz 150, contra os 50 anteriores; a rama ao monte custa Kz 200, contra os anteriores Kz 100, enquanto o monte de couve está a ser vendido a Kz 300, quando ainda na semana passada custava 100 Kwanzas. Já o tomate, que há alguns meses que oscila o preço, consoante a época, neste momento o monte de quatro tomates médios é vendido a 400 kwanzas, enquanto a cenoura é comercializada a Kz 200, segundo constatou OPAÍS numa ronda efectuada ao mercado da Boa Esperança, em Viana.

Segundo Suzeth Ventura, vendedora do mercado da Boa Esperança, em Viana, os preços na sua bandaca estão altos porque os produtos no Mercado do 30 também subiram. A vendedeira contou ainda, a OPAÍS, que tem sido um sacrifício muito grande chegar até ao Mercado do 30 para comprar o seu negócio, dada a dificuldade de transporte e também a venda que está a ser feita com algumas restrições. Segundo Suzeth, no 30, anteriormente o monte de verduras, por exemplo a Gimboa, poderia ser comprado a Kz 300, ou mesmo a 500 e dava lucro, mas agora Suzeth compra o monte a Kz1000.

O balde de tomate, no valor de Kz 4000, é “só para não faltar tomate na bancada”, alegou Maria, outra vendedora, que reclamou por os lucros não serem animadores, uma vez que também tem sofrido muito para transportar os alimentos do 30 a sua residência, tendo pago uma quantia estimada de 1000 mil kwanzas. Segundo ela, para chegarem ao mercado do 30 são obrigadas a caminhar cerca de cinco quilómetros a pé. “Os táxis estão a deixar os passageiros na ponte do 25 e daí caminhamos até depois do matadouro, onde está a ser feita a venda”, desabafou.

11 anos a vender hortaliças

Por sua vez, a vendedeira de verduras do mercado do Calemba II há 11 anos, Maria Catumba, explicou que não tem sido fácil, nos últimos dias, comprar o produto, tendo em conta diversas dificuldades. Face ao problema do transporte, Maria esclarece que teve que recorrer ao Mercado dos Kwanzas, localizado no município do Cazenga, para obter algumas hortaliças. Apesar dos transtornos, Maria, que se apresentava protegida com máscara no rosto, está consciente de que as restrições e as medidas implementadas pelo Executivo são a melhor forma de evitar a propagação da Covid-19.

Maria deduz ainda que nos próximos meses a situação será ainda mais difícil. Durante a nossa reportagem, encontramos no mercado do Calemba II a funcionária pública Adelcina Capita, que não parava de rever a sua lista de compras. Adelcina, que se encontrava na bancada de hortícolas, apesar da subida dos preços, explicou que nesta fase de estado de emergência tem optado por comprar muitas verduras, apesar de estarem muito caras. Quem também comunga da mesma opinião é a dona Filomena António, que preferiu fazer compras no mercado do Calemba II por notar que, apesar de estar caro, nos supermercados os preços dos produtos agrícolas estão ainda mais altos.

Salientou que na Terça-Feira passada, por exemplo, esteve num, da Sapú, onde comprou um quilo de cenouras no valor de 715 kwanzas e um quilo de batata rena a 1.785 kwanzas. “A cada dia que passa as coisas estão mais difíceis, e os preços sempre a aumentar”, desabafou Por outra, Mbiri Mkiesse, cidadão congolês que vende numa pequena bancada de fronte da sua casa, no bairro da Sapú II, em Viana, também se das dificuldades que tem para a aquisição dos produtos nos mercados do Quilómetro 30 e do Kikolo. O vendedor disse que tem que levantar-se às 4 horas da manhã “para conseguir comprar o negócio”. Mbiri vende na sua bancada tomate, gimboa, quiabos, rama de bata-doce e cebola. Conta ainda que para ter acesso ao mercado, além de apresentar uma declaração de serviço que lhe permite circular , ainda é obrigado a cumprir uma fila com mais de 100 pessoas para lavar as mãos, por forma a prevenir-se da Covid-19.

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