Jerónimo Belo pede apoios para o jazz

Já há instrumentistas angolanos com “muito potencial”, mas que precisam de ajuda para continuarem a desenvolver o seu talento

O jornalista e actor social Jerónimo Belo afirmou, esta Quarta-feira, em Luanda, que o jazz em Angola continua muito longe dos circuitos escolares e sem o devido apoio da sociedade. Em declarações à ANGOP, a propósito do Dia Internacional do Jazz (30 de Abril), o especialista, um dos mais notáveis promotores desse estilo musical no país, considerou a situação (falta de apoios) “dolorosa e bastante amarga”. Disse registar-se em Angola um “fenómeno novo, recente – a irrupção de um número considerável de jovens instrumentistas e cantores, alguns dos quais com qualidade técnica, que se deixaram tocar pela beleza do jazz e respeitam os seus valores”. Conforme o especialista, já há instrumentistas angolanos com “muito potencial”, mas que precisam de ajuda para continuarem a desenvolver o seu talento. Reconheceu, entretanto, que houve alguns avanços no que toca ao interesse da sociedade por esta tipologia musical, embora “muito tímidos”.

Num outro trecho das respostas às questões da ANGOP, enviadas por correio electrónico, Jerónimo Belo anunciou que este ano, devido à pandemia do novo Coronavírus, o “palco” do concerto “Festa do Jazz”, a assinalar a efeméride, será o ecrã da Televisão Pública de Angola (TPA). O espectáculo será transmitido no Canal 2 daquela emissora, a partir das 21 horas e 30 minutos . A data Instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o Dia Internacional do Jazz celebrou- se pela primeira vez a 30 de Abril de 2012, há precisamente oito anos. A comemoração tem como objectivo lembrar a importância deste género musical e o seu contributo na promoção de diferentes culturas e povos ao longo da história, num processo associado à luta pela liberdade e à abolição da escravatura. “A escravatura no chamado ‘Novo Mundo’ e, especialmente, nos Estados Unidos, foi o seu útero.

O capitalismo e o racismo fizeram o resto, moldaramlhe o rosto e a identidade. Mas, percorreu, em pouco mais de cem anos, ou seja, da escravatura à cidadania dos seus principais actores sociais, uma distância espantosa, e muito rica e diversificada”, sublinhou Jerónimo Belo. O jornalista cultural fundamentou a condição eterna do estilo musical pela ausência de barreiras e fronteiras entre criadores e o exemplo da inclusão e da união. Do seu ponto de vista, essas duas premissas “fazem do jazz o lugar de partida, a origem e fonte de inspiração para os melhores sentimentos que um ser humano pode pretender almejar: a paz, a liberdade, a unidade e a beleza”. Origem do jazz O jazz teve origem nos Estados Unidos da América, através da comunidade afro-americana no século XIX, tendo-se popularizado nas primeiras décadas do século XX. New Orleans é reconhecida como a cidade onde nasceu o jazz, que tem como expoentes máximos nomes como Miles Davis, Chet Baker, Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Nina Simone, John Coltrane, Louis Armstrong, Edward Ellington e Dizzy Gillespie.

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