Carta do leitor: A Fiscalização e a Protecção contra o Coronavírus

Senhor Director, Escrevo-lhe por um imperativo de consciência cívica face ao inacreditável, inadmissível e vergonhoso, também. INACREDITÁVEL é uma forma atenuante para classifi car as imagens que lhe envio como prova material. Em pleno Estado de Emergência “decretado para proteger o superior interesse da defesa saúde e da vida dos angolanos” perante a ameaça da pandemia do Covid- 19, como diz o Presidente da República, a Fiscalização Municipal do Kilamba Kiaxi, em Luanda, mantêm um piquete diário, entre as 8:00 e as 18:00, na Vila do Estoril, aparentemente para trancar e rebocar viaturas supostamente mal estacionadas. E vêem-se rádios comunicadores digitais e telefones para chamadas urgentes na posse dos seus fi scais, além das chamadas “trancas”, ao lado da lama, ruas esburacadas e águas paradas! Venham inspeccionar! Uma pergunta: Rebocar viaturas sem protecção anti-viral numa área de residência é um trabalho essencial durante o estado de emergência? De facto, não é visível nenhuma medida de protecção, como o uso de álcool gel e de máscaras! O único objectivo visível parece ser trancar, rebocar e multar! Mais espantoso ainda, as ruas sob “intensa fi scalização diária” estão completamente encharcadas pelas águas da chuva, intransitáveis e esburacadas, como ilustram as fotos enviadas. Também não há nenhuma acção reparadora por parte da Administração Municipal que diariamente envia esses fi scais para o terreno. Terraplanar estas ruas não é prioritário? E multar os moradores do bairro é mais prioritário do que proteger a saúde e a vida Infelizmente, aqui, na Vila do Estoril, o foco diário parece ser: «Alô! Envie já o reboque para esta posição…!», e cobram-se os tantos mil pela multa! Não queremos contestar os actos administrativos de ninguém, mas preocupa-nos evidentemente o risco de contágio e de propagação de uma pandemia que será brutal caso um fi scal ou um dos multados esteja infectado! Pior ainda é manter pessoas com tão pouca sensibilidade perante este fl agelo mundial, como é a COVID-19, em lugares de tão elevada responsabilidade e impacto social, numa área de forte densidade populacional! Não estamos em tempos de brincadeira do tipo «polícias com algemas e ladrões com esquemas». Infelizmente, senhor director, os dados do MINSA sugerem que a transmissão comunitária já deu indícios de querer começar e vamos entrar no Cacimbo, onde o vírus será mais agressivo! Aceite os melhores agradecimentos pela atenção concedida pelo seu jornal.

Tazuary Nkeita

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