Estudem este povo

“Angolano tem que ser estudado”. Esta é uma expressão que tenho ouvido e lido muitas vezes. E tem mesmo. Para ser compreendido e “melhorado”, civilizado. Não me levem a mal por este “civilizado”, cada povo a sua civilização no tempo em que vive. Também não estou no tempo da minha avó, entre civilizados e gentios. Mas que se está a precisar de um conserto… Vejamos, na Holanda, o confinamento imposto tem o nome de “confinamento responsável”, o cidadão assume a sua responsabilidade nos cuidados com a sua saúde e com a saúde dos outros. As regras estão estabelecidas e cada um cumpre conscientemente, não há necessidade alguma de a Polícia andar atrás de ninguém. Globalmente, as coisas estão a correr bem, porque globalmente a sociedade cumpre. Aliás, é uma sociedade complicada de se lhe cortar liberdades. Então, se não é para ficar em casa com as portas trancadas, é seguir e agir dentro dos cuidados instituídos. Nós cá não. Angolano tem mesmo de ser estudado. Aliás, este período de emergência é excelente para o Governo contratar especialistas de várias áreas e pedir-lhes estudos sobre o comportamento das pessoas, sobre os níveis de percepção do perigo, sobre a forma como as pessoas reagem à mensagem do Governo, como tudo isto pode ser aproveitado de forma positiva e projectar-se o desenvolvimento. Deve haver alguma coisa muito positiva quando um juiz, um ex-ministro de Estado e uma deputada resolvem passar por cima da lei. Uma lei que o segundo ajudou a elaborar e publicar, que o primeiro deve fazer aplicar e que a terceira autorizou com o seu voto na casa das leis. Não são casos de estudo? Eu acho que sim. E depois soma-se um líder religioso que também julga que a lei é para deitar fora e um cidadão que atropela a lei, literalmente, na pessoa de um agente da Polícia que envia para hospital todo partido. E o resto do povo… bem, de visita aos amigos, aos copos e a dançar tarrachinha. Uma palavra ao Presidente: não mexa em nada, faça primeiro um estudo profundo

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