A nossa Transparência!

Esta semana li, algures num jornal, uma história sobre uma menina chamada Lúcia Domingos. A história chamou-me atenção, não por ela ser jovem, mas pelo facto, de dizer que não gostava que lhe chamassem Zungueira e por ter sido audaz e perceber que o pequeno negócio consegue responder às suas necessidades. E falamos de uma jovem que está no 11º ano. Percebeu a importância que dos seus contactos no Facebook para anunciar que elas vendem batata-doce, banana nacional e que podem levar, por encomenda, outras frutas a pedido do interessado. Tudo isto porque tem um telemóvel na mão, disponível para distribuir a sua informação. Parabéns Lúcia. A Tecnologia anda de mãos dadas com a vontade de criar e ser. Só nos resta a vontade de ensinar e sim, dar ferramentas a estas mulheres que, num futuro próximo, não irão permitir a falta de reconhecimento, por tudo que fazem e pelo que são: “Nano empresárias/ os”. Nesta fase em que estamos a viver tantas incertezas, provavelmente uma da maiores que o universo já sentiu, creio que quem trabalha nas ruas (mercado informal) deve ter sentido muito mais, e continuam a sentir. Incertezas estas que acentuam o conflito entre o executivo e as/os Nano empresárias/os. Não se consegue sentir articulação. Não consigo condenar nem um papel e nem outro. O que sinto é que é altura de começar a trabalhar sobre uma coordenação clara e transparente. Não adianta muitas notícias, muitas palavras bonitas, se de facto não houver uma orientação clara para este mundo tão complexo e tão munido de ferramentas económicas e de sustento familiar. As Nano empresárias/os (Zungueiras) nunca se esconderam, são quem mais batalham diariamente para que a economia em pequena escala funcione (com erros ou sem eles). Lembram-se da Operação resgate? As minhas perguntas para as quais, até hoje, não obtive resposta: Para que serviu tal operação? Sabem, porque razão tal operação não teve sucesso? Mas, para estas perguntas, há respostas rápidas e de entendimento rápido, mas não para hoje (no próximo artigo, darei a minha opinião sobre a relação falhada entre as Nano Empresárias e a Operação Resgate ). Como é de praxe, nos meus artigos deixo sempre um ponto em aberto que serve de continuidade, para entendermos melhor a dinâmica entre a relação dos agentes económicos nesta esfera do Pequeno negócio, em que a questão da formação, quer ela seja cívica, quer ela seja formatada à medida, é primordial. Para as/os Nano empresárias/os, sugeria no meu último artigo que o executivo pudesse criar planos de formação e que estes fossem comparticipados (incentivo a fundo perdido por parte do Estado) e como: Planos de formação à medida (algumas sugestões): a) Levantamento de cada actividade/comércio realizado na rua, e a partir deles criar formações direcionadas (à medida); b) Todas as formações serem e estarem devidamente certificadas; c) Aplicar-se uma comparticipação de acordo com o escalão escolar a que cada um/a pertence; d) Este plano de formação deve abranger a todas administrações, onde se determine a importância da presença destes/as Nano Empresários/as para a frequência do curso subvencionado; Sempre que estes Nano empresários/ as se sentirem devidamente valorizados com pequenas acções, acredite que mudará a sua consciência e o seu dever cívico junto das comunidades! Não adianta aplicarmos regras e critérios que são determinados pelo executivo se o receptor (Nano empresário/a, que chamamos de Zungueira), nunca entender a mensagem e ficar com a sensação de sempre, isto é, que não valorizamos o seu trabalho, o seu sacrifício. Se ela ou ele não entender o impacto e a consequência de tais actos, porque razão então implementar acções que só trarão desgaste social? Devemos ponderar todas as acções que afectam o quotidiano destas/es Nano-Empresárias/os.

                                                  Kénia Camotim   Proteja-se e fique em casa! *(Economista)

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