Cidadão infecta sete membros da sua família e eleva para 35 os casos de Covid-19

Um cidadão proveniente de Portugal entre os dias 17 e 18 de Março do corrente ano transmitiu a Covid-19 a sete dos nove membros da sua família. O país registou mais cinco casos positivos nas últimas 24 horas, perfazendo um total de 35 casos, revelou, ontem, em Luanda, a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta

Por:Maria Teixeira

Dos sete casos positivos resultantes do contacto directo com o cidadão catalogado com o cognome de “Caso 26”, três foram apresentados no dia 1 do corrente mês e outros quatro ontem, esclareceu a governante aos jornalistas, na apresentação diária do balanço da situação epidemiológica no país.

Trata-se de três senhoras, de 42, 38 e 34 anos de idade, e quatro crianças de 1, 4, 8 e 11 anos de idade. Os dois negativos são uma criança de seis meses e outra de 7 anos. Os restantes contactos continuam a ser seguidos e estão a ser testados. “Vale referir que todos estes novos casos são assintomáticos”, garantiu a ministra. Em relação ao outro caso revelado ontem, Sílvia Lutukuta esclareceu ser o primeiro importado captado no rastreio dos primeiros 443 passageiros provenientes de Lisboa nos voos DT651 e DT653, dos dias acima mencionados.

Disse ser um indivíduo de 36 anos de idade, da Guiné-Conacry,residente no bairro Hoje Ya Henda, em Luanda, que não cumpriu a quarentena domiciliar de acordo com as normas preconizadas. Este comerciante não forneceu os dados correctos na ficha sanitária na porta de entrada do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, uma das exigências feitas para que pudessem ser acompanhados. “Este paciente foi encaminhado para o nosso centro de tratamento de referência e os seus contactos directos, num total de 25, foram encaminhados para os centros de quarentena institucional para acompanhamento e rastreio”, garantiu.

Mais de 400 amostras de casos suspeitos em investigação

Por outro lado, Sílvia Lutukuta fez saber que do rastreio dos voos dos dias 17 e 18 de Março, de passageiros provenientes de Lisboa, foram colhidas 1.018 amostras, sendo que de 443 já se conhece o resultado, com apenas uma positiva, a do cidadão da Guiné. “Por esta altura, temos um total de 35 casos positivos, com dois óbitos, 11 recuperados, 22 internados nos nossos centros de referência e estáveis”, detalhou. De acordo com a governante, a equipa de resposta rápida de vigilância epidemiologia continua a fazer a sua investigação e a acompanhar toda a situação da Covid-19 no país.

Entretanto, do ponto de vista laboratorial, um total de 3.547 amostras colhidas, 2.705 são negativas, 35 positivas e 807 estão em processamento. Lutukuta referiu ainda que 908 pessoas observam a quarentena institucional e 412 pessoas são casos suspeitos em investigação. Há 957 contactos directos e ocasionais que estão em seguimento. “Devemos manter as medidas de protecção individual e colectiva, continuar a lavar as mãos ou usar o álcool-gel. Continuamos a recomendar o uso das máscaras faciais quando se estiver nos mercados, transportes públicos, locais fechados com muita gente, tais como bancos, lojas e local de trabalho”, recomenda.

Angola a um passo de circulação comunitária

Sílvia Lutukuta pede as pessoas a manterem a distância social de pelo menos um metro, bem como permanecerem em casa e evitar aglomerados. Uma vez que já se regista no país casos de transmissão local e “estamos a um passo da circulação comunitária”. Disse que o comportamento da população é a chave para o controlo dessa pandemia, pelo que se deve redobrar as medidas de prevenção para travar a cadeia de transmissão. “É importante que continuamos a observar as regras de prevenção individual e colectiva. Nós estamos a lidar com uma doença altamente infecciosa que tem um impacto muito negativo na vida e na saúde das pessoas e que pode levar a morte”, disse. De salientar que transmissão comunitária ou sustentada é quando um caso infectado que na esteve nos países com registo da doença transmite a outra pessoa que não viajou (casos de transmissão do vírus entre a população).

Passageiros que faltarem aos testes voluntários serão recolhidos de forma coerciva Sílvia Lutukuta garantiu que todos os passageiros que chegaram ao país nos dias 17, 18 e 19 que faltarem aos testes massivos voluntários serão recolhidos de forma coerciva e serão internados em quarentena institucional obrigatória e só terão alta depois de efectuarem testes e se forem negativos. “Essa decisão foi tomada depois de se verificar que 10 a 15 passageiros se têm furtado aos testes voluntários que decorrem desde 1 de Maio na Escola Nacional de Saúde Pública e no Hospital Américo Boa Vida”, referiu.

Por outro lado, lamentou o surgimento de casos positivos de pacientes que estiveram em quarentena domiciliar mais de 30 dias depois de chegarem ao país. “Esses casos deram muito trabalho à comissão, pelo facto de muitos deles terem dado georreferenciação errada ou por manterem os telefones desligados, obrigando a um trabalho árduo e profundo para os descobrir”, frisou. Face a isso, admitiu que casos positivos nessa situação podem ainda ocorrer, uma vez que estudos científicos recentes mostram que o período de incubação pode chegar até aos 50 dias após a infecção, razão pela qual se está a testar os aludidos passageiros.

Máquina RT -PCR do Huambo não é compatível para testagem da Covid-19

Questionada se a máquina de RT-PCR existente num laboratório da província do Huambo poderia ser aproveitada para aumentar a capacidade de testagem, Sílvia Lutukuta explicou não ser compatível o equipamento com os actuais reagentes existentes no mercado para o efeito. Sublinhando que seria, de facto, uma boa oportunidade o uso desse laboratório, se fosse possível. “O que se tem de perceber é que os equipamentos evoluem, os materiais de apoio e para preparação das amostras também evoluem. E há equipamentos que ficam para trás”, frisou. Esclareceu que, por via de regra, no que tange aos equipamentos tecnológicos, há uma altura em que um tem função, mas já não é compatível. “Foi o que aconteceu com esse equipamento do Huambo”, explicou. De realçar que o país observa, desde às 00h00 de Domingo, 26 de Abril, o terceiro período do estado de emergência, a vigorar até às 23h59 do dia 10 de Maio, cumprindo-se 45 dias consecutivos de isolamento social com o intuito de conter a propagação da pandemia no território nacional.

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