Mãe

Por: Kâmia Madeira

Domingo 3 de Maio, dia da mãe em tempo de Covid-19, esta que vos escreve desde cedo que começou a receber mensagens de apreço e reconhecimento pelo dia e do mesmo modo que as recebeu, também as enviou. É como se pertencêssemos todas a uma grande irmandade e quiséssemos validar e enaltecer todos os esforços porque passam as mães. Ser mãe é sem dúvida amar incondicionalmente, é aguardar por 9 meses por um ser que nos virá dar alegria e preocupações, é viver ansiosa sem saber se as decisões que tomamos hoje terão impacto positivo no futuro.

É para aquelas que já têm fi lhos crescidos, ter orgulho pela caminhada trilhada e saber que se deu ao mundo pessoas conscientes e capazes com valores e crenças, poderá ser para algumas tempo de ressentimento e culpabilização, mas perfeição não existe no mundo e cada mãe ao seu modo deu o melhor que podia com os conhecimentos de que disponha não devendo ser por isso alvo de chacota e reprovação.

O que muitos não sabem é que nem sempre estamos totalmente preparadas, por mais livros de puericultura que tenhamos lido e mais conselhos ancestrais que tenhamos ouvido… Temos consciência que geramos vida, que devemos cuidar dela e que nunca a nosso percurso depois de darmos à luz será o mesmo. Mas lidamos com tanta pressão que muitas de nós fi cam deprimidas e têm até difi culdade em pegar e acariciar os recém nascidos, pois todos consideram que devemos ser superheroínas e questionarmo-nos pouco, pois mãe é para toda a vida e talvez por isso mesmo é que o receio é grande… Quantas de nós têm vivido dilemas entre trabalho e tempo para família?

Quantas de nós alvo de mujimbos por ter decidido ter uma família numerosa ou abdicar de uma ocupação para dedicar-se aos fi lhos. Recorrendo à História, os laços de amor e cuidado para com os nossos petizes sofreram estágios, pois foram vários os momentos em que dávamos à luz e pensávamos mais uma boca para criar, ou sem condições entregávamo-los à roda dos expostos, mecanismo que permitia deixar os bebés nos orfanatos sem que se soubesse de quem eram, assim como a recolha de alguns era feita depositando-os num grande cesto amontoando-os, morrendo por asfi xia os que estavam em baixo… Época Moderna… Somos contemporâneos agora…

E esta mesma história de memórias e que nos ajuda a não esquecer o passado, presenteia-nos com mães como Maria, Helena de Constantinopla, Marie Curie ou Indira Ghandi, mostrando que aliar as várias esferas da nossa vida ao papel de mãe é possível e como tudo são escolhas o que devemos fazer. Nesta nossa irmandade seguimos, sabendo que o peso das expectativas nem sempre é fácil de lidar, mas para todas é um facto que o que nos move é e sempre será o amor de mãe que vence e supera tudo e que nos faz querer dar sempre o nosso melhor.
A todas as mães gratidão

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