O povo comunica

Anda muita gente a tentar perceber o que se passa em Angola, com as pessoas, para o confi namento domiciliar estar a ser tão desrespeitado. A Polícia Nacional, em alguns locais, chegou a usar métodos violentos, inconstitucionais, claro, mas nem isso fez as pessoas fi carem em casa. Tem de haver alguma razão.

Ontem mesmo, recebi uma mensagem que apontava coisas como “anomia social” e uma ressignifi cação social que já está a acontecer, por exemplo, com a lavagem frequente das mãos (como forma de protecção da saúde), tida como transtorno obsessivo compulsivo no quadro dos transtornos mentais.

Hoje é higienização. As pessoas não estão a fi car em casa, mesmo com toda a informação que passa sobre a pandemia causada pelo novo Coronavírus. Isto não se pode resumir a um quadro de teimosia apenas. É o povo a comunicar, é preciso entender as razões e a mensagem do comportamento. Há sinais claros para estudar, para entender. E para aprender, claro.

E ajustar as medidas. Se as pessoas não fi cam em casa nem à surra, já o uso da máscara parece estar a ser mais facilmente aceite. Quem ande um pouco pelas cidades e vilas verá como há muita gente na rua e há, também, cada vez mais gente a usar a máscara.

A de pano, principalmente, reutilizável. Portanto, os angolanos não estão tomados por um instinto suicida, querem proteger a vida e, se calhar, procurar continuar vivos buscando a vida fora de casa, ainda que isto signifi que apenas a liberdade de caminhar. Esta pandemia está, de facto, a trazer imensos sinais, lições que vale a pena aprender, para o futuro, pelo bem da sociedade.

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