Suspensão de actividades culturais em consequência da Covid-19 retira rendimentos da classe artística

Os artistas, para além do adiamento dos eventos culturais em consequência do estado de emergência decretado, devido à disseminação da Covid-19, manifestam-se preocupados com o arranque das actividades culturais após reposição social, devido ao grande público que elas envolvem

Neste período em que se vive o estado de emergência, em que foram suspensas todas actividades de carácter cultural e até religiosas, desde concertos musicais, exibição de peças teatrais, de dança, celebrações eucarísticas, cultos, entre outros, que envolvem um número elevado de espectadores, muitos são os que foram afectados negativamente no aspecto financeiro, por dependerem exclusivamente delas para o seu sustento e das famílias.

Apesar de agora, algumas empresas estarem a funcionar em regime de “part-time” (meio período), as actividades culturais, por envolverem um grande número de pessoas, o que vai contra as medidas de prevenção da Covid-19, continuam proibidas, até segundas orientações, uma vez que este terceiro período de emergência termina a 10 de Maio.

Entretanto, por estar em causa um bem maior, que é a vida, os artistas estão de acordo, mas, defendem que se realizem actividades de sensibilização na comunidade, de modo a que tenham trabalho, uma acção que deve ser orientada pelo Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, para, assim, virem a conseguir algum rendimento. Sobre o assunto em causa, o secretário do Património da Associação Angolana de Teatro, Toni Frampénio, referiu que as actividades teatrais no país têm acontecido com sérias implicâncias, porque, o rendimento não tem sido regular.

E, que, mensalmente, para quem depende dela, no momento, está a passar por sérias dificuldades, uma vez que o estado de emergência perdura já mais de 40 dias e, mesmo que venha a ser cessado, os eventos que envolvam um público acima de 50 pessoas continuarão proibidos.

O também director de teatro e encenador avançou que em Março, 27, apelaram ao Ministério da Cultura, Ambiente e Turismo para que se pronunciasse, de acordo com as preocupações tidas com outros profissionais, mas, infelizmente, com eles ainda não houve nenhum pronunciamento, de forma a ajudar a mitigar a situação. “Fizemos isso porque já prevíamos esse dilema que estamos a viver.

Até porque, mesmo no naquele dia, pretendíamos fazer uma campanha online para sensibilizar as pessoas, inclusive, preparamos um vídeo para fazer o trabalho, porque queríamos que o ministério subsidiasse. Mas, até agora não fomos respondidos”, lamentou.

Reposição das actividades artísticas Frampénio observa que a questão das artes, assim como a do desporto, após a Covid-19, serão as últimas a ser reintegradas, por serem actividades de massas, que congregam um grande público e merecerão atenção especial. “No caso do desporto, poderá ainda acontecer sem público, mas com o teatro não acontecerá, por ser efémera e acontece com a participação do público, com a comunhão entre os artistas e o colectivo.

Então, sem isso não há teatro”, analisou.
Fundo para apoio O director de teatro avançou que o ministério de tutela possui fundos de apoio para os artistas e que tem também verba disponibilizada pelo Estado e, para além disso, possui outras alocadas para o Festival da Cultura Nacional (FENACULT) previsto para este ano, assim como do Prémio Nacional de Cultura e Artes e das celebrações do Dia da Independência do país, a 11 de Novembro. A seu ver, os respectivos fundos poderiam ser distribuídos aos artistas, principalmente àqueles que têm regularidade nas suas actividades. “

Aqueles artistas que têm trabalhos relevantes, que o próprio ministério reconhece, devia apoiálos, porque dinheiro existe. Até porque, de forma indirecta, temos feito algumas publicações nas redes sociais que poderiam ser massificadas pelo ministério. Por isso, não poderão justificar que o dinheiro servirá para o próximo ano”, indagou.

Na música Nesta senda, o músico Irmão Bambila é de opinião que ao invés de outras entidades, o ministério de tutela poderia congregar os artistas da área secular e gospel para trabalharem em actividades de mobilização e sensibilização social, sendo estes parceiros da instituição. “Acredito que os artistas estão a ter dificuldades nesta fase, porque vivemos destas actividades, seja dentro ou fora da igreja. Se o ministério nos acudisse, muitos não estariam a passar por dificuldades, sendo que estariam a presta serviço ao Estado que lhes rendesse um cachê.

Quando não temos actividades, acabamos por não ter o que comer”, deplorou. O músico gospel defende ainda a apresentação de shows à distância nas estações televisivas, ou mesmo numa página oficial do ministério, que seriam programados a partir das suas residências, isso, por ter observado a constante repetição de eventos nas televisões. Achando necessária a intervenção imediata ministério.

“São vários os eventos, entre culturais e desportivos, que não vejo necessidade de serem repetidos enquanto temos uma matéria da actualidade, que devia ser falada em diferentes momentos. Até porque temos os nomes cadastrados na União Nacional dos Artistas e Compositores e Direitos Autorais e também conhecem os artistas que têm despontado no mercado”, aconselhou.

Momentos difíceis O artista disse mesmo que foi acudido desta situação através do show online denominado “Eu Fica no kubico”, desenvolvido pela Unitel em parceria com a LS Republicano. O seu concerto ao vivo na página oficial daquela empresa de telecomunicações, ocorrido na semana passada, com duração de uma hora, possibilitou-lhe angariar valores monetários para mitigar algumas situações. A sua participação no evento que envolveu cerca de 30 artistas deveu-se ao facto de ser agenciado por aquela produtora musical, sorte essa que acredita poucos terem, por não trabalharem com empresas similares.

Na dança

O coordenador-geral da Associação Angolana de Dança, Maneco Vieira Dias, referiu que nesta área, os artistas, igualmente, passam por momentos difíceis, sem trabalhos e a viver dificuldades enormes para manter o sustento dos seus. “Com as actividades adiadas para data imprevista, e nós, como é óbvio, também estamos a ser vítimas desta situação, que deixa os artistas, no caso da dança, sem proventos para sustentar o seus entes, já que muitos fazem da dança o seu provento principal de sustentabilidade”, elucidou. Quanto ao grupo que dirige, o bailado Kilandukilu, aferiu não ser diferente, uma vez que os diversos compromissos assumidos foram todos adiados.

Por esse e outros motivos, considera necessário serem repensadas as políticas culturais do país, visando a criação de incentivos à produção artística, por observar que sem as quais complica o trabalho dos artistas. Realçou ainda que, apesar de estar a ser uma situação difícil para todos, os artistas continuam a criar, porém, em casa, sem poder apresentar-se. “Desde já, os seus proventos ficam apenas pelo sonho de dias melhores, embora o futuro só a Deus pertença. Ainda assim, está a ser uma experiência que nos leva a reflectir sobre o futuro cultural do país”, atestou.

“Lives” não dão retorno financeiro directo aos artistas
Embora nesta fase de situação de emergência decretada, vários artistas, sobretudo músicos e DJs, recorram a plataformas como Youtube, Facebook e Instagram para exibição das suas performances, elas não dão retorno financeiro directo aos mesmos. O engenheiro informático e docente do Instituto Superior de Telecomunicações e Tecnologias de Informação (ISUTIC) Valeriano Messele Marcelino referiu, a OPAÍS, que, apesar do uso das plataformas digitais abraçadas por muitos artistas nesta fase, estas não dão retorno financeiro directo.

O académico explicou, por exemplo, que estar associado a plataformas como a “Kisom”, sob o signo de uma marca como é a Unitel, é diferente das transmissões das demais plataformas, pois aí a marca paga directamente ao artista. Já o Youtube paga aos artistas depois de alcançarem determinado período pelo máximo de visualizações que este obtiver neste canal. O que, para o mercado nacional chega a ser bastante difícil.

Alcance 1 – Engajamento do público – O Instagram apresenta um nível de engajamento do público muito superior às demais redes sociais. Um estudo recente da agência de pesquisas Forrester mostrou que um conteúdo divulgado no Instagram gera 58 vezes mais engajamento por seguidores do que no Facebook e 120 vezes mais do que no Twitter. É uma excelente oportunidade para o músico que não é conhecido e precisa de alcançar
mais pessoas.
2 – Integração com o Facebook – O Instagram possui integração com o Facebook, permitindo que suas publicações sejam postadas simultaneamente em ambas redes sociais, facilitando a vida do músico.
3 – Produção de “lives” – Assim como a live do Facebook, o Instagram também possui essa ferramenta de transmissão streaming, que está agregada ao Insta Stories. Essa modalidade de vídeos ao vivo têm duração de 1 hora e desaparece do aplicativo após o encerramento, gerando nos seguidores a sensação de urgência. É muito útil para transmitir ensaios, shows, ou até mesmo, conversar (fazer directo) sobre as músicas.

serviço
Ajuntamento

error: Content is protected !!