Governo deve apoiar a imprensa privada para o fortalecimento da democracia

O apelo foi lançado por um veterano jornalista baseado em Benguela, por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de imprensa, assinalado no Domingo, 3 de Maio

O jornalista e director do Jornal Chela Pess, Francisco Rasgado, apelou ao Governo a ajudar a imprensa privada com meios técnicos e financeiros para salvá-la da ameaça do seu desaparecimento. Falando a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado neste Domingo, Francisco Rasgado afirmou ser urgente que o Governo intervenha, sob pena de os jornais, revistas, rádios e as poucas televisões desaparecerem por falta de sustentabilidade.

Em entrevista a OPAÍS, sugeriu que, através de associações ligadas à classe jornalística, o Governo pode patrocinar a montagem de uma gráfica para a impressão de jornais, revistas e outro material gráfico para o seu próprio auto-sustento. Outra ideia defendida pelo director do Chelas Press, o único jornal privado fora de Luanda, é o de apoiar a imprensa privada, através de incentivos à publicidade por parte das empresas públicas, cujo privilégio, segundo a fonte, é restrito apenas aos órgãos da comunicação social estatal. Francisco Rasgado disse ser uma das formas que o Governo pode encontrar para atenuar a crise na também chamada imprensa alternativa, como acontece nos países da Europa e africanos, com realce para alguns da região da SADC.

Segundo a fonte deste jornal, uma vez que desapareça a imprensa privada, ou seja, os poucos órgãos que ainda sobrevivem, não será perda apenas para os jornalistas que gostam deste ofício, mas também para a própria democracia, que “ainda é lactente”, sublinhou.

Cepticismo

Entretanto, Francisco Rasgado mostrou-se céptico quanto à eventuais apoios que a imprensa privada venha a beneficiar do Governo, após um encontro recente entre o ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, Manuel Homem, o secretário do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), Teixeira Cândido, e cinco directores de órgãos privados. Sustentou que a imprensa privada há muito vem reclamando por apoios, que nunca recebeu, e a situação agudizou-se quando certos órgãos tidos como incómodos à governação do anterior Governo foram silenciados com a compra dos seus títulos.

“Quero ver para crer nesta governação”, afirmou Francisco Rasgado, para quem o apoio será bem-vindo se for concedido, não só para manter os empregos dos jornalistas, mas também para o bem do próprio Governo, que tem a imprensa privada como um parceiro.

Disse ser difícil como sobrevivem os órgãos privados em Angola, sobretudo os jornais impressos, cujos custos são elevados nas poucas gráficas que existem no país. Sobre a liberdade de imprensa, o jornalista disse não ter “mudado nada”, sustentando que, nos últimos tempos está a voltar o antigo “modus operandis” de quem a comunicação social em Angola depende directamente.

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