Moradores do Futungo confinados sob suspeita de Covid-19

Os moradores do Futungo, no bairro da ugP, “sector das casas brancas”, estão confinados nas suas residências, sob fortes medidas de segurança, desde a tarde de Domingo, depois de as autoridades sanitárias terem detectado que o chamado “Caso 26”, que infectou sete membros da sua família, manteve, também, contacto com vizinhos

Ninguém entra, niguém saí, e quem quiser fazer compras só se pode dirigir a duas lojas de conveniente aí existentes, sob o olhar atento de efectivos da Polícia Nacional que vigiam o local, estás são algumas das limitações a que estão sujeitos. Tudo porque um dos moradores, que chegou de Lisboa entre os dias 17 e 18 de Março, não cumpriu a quarentena domiciliar de 14 dias acordada com autoridades sanitárias à saída do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro.

Em consequência, por ter sido exposto ao Coronavírus na capital portuguesa, contaminou três senhoras, de 42, 38 e 34 anos de idade, e quatro crianças, de 1, 4, 8 e 11 anos de idade. Dos membros da sua família, apenas duas crianças, uma de seis meses e outra de 7 anos, testaram negativo ao novo Coronavírus.

Atendendo os contactos que os membros desta família mantiveram com a sua comunidade, as autoridades sanitárias optaram por restringir a movimentação de todos os moradores, por se terem tornado “suspeitos”, algo a que eles não se opõem, por ser o método adequado para conter a circulação da Covid-19 no bairro. Porém, solicitam que algumas das medidas sejam mais brandas. “A situação é extrema mesmo. Ninguém pode entrar e nem sair”, declarou a OPAÍS a senhora Mercedes, uma das moradoras do bairro, que sublinhou que só no final da tarde de ontem é que as autoridades permitiram a entrada de um camião cisterna no bairro para abastecer de água potável os moradores. Antes disso, os camiões cisterna particulares, bem como os condutores de motorizadas de três rodas que comercializam o precioso líquido não foram autorizados a entrar no bairro.

Os serviços de recolha de lixo estão também vetados, o que, no entender da nossa interlocutora, pode provocar problemas maiores. “Se não vierem recolher o lixo, daqui a pouco teremos doentes com malária. Daqui a pouco chove! Que Deus nos acuda”, frisou. Contou que pretendia ir à farmácia do bairro, localizada na rua principal, a poucos metros da sua residência, mas não lhe foi permitido. Desabafou que há mulheres que necessitam de ir à farmácia comprar alguns produtos não sujeitos a receitas médicas que têm a ver com o período menstrual.

“Os únicos sítios que eles deixam ir, e têm que acompanhar com o olhar, é nas lojinhas de conveniência Bem Me Quer, mas do que isso não”, frisou. As pessoas que pretendem adquirir mantimentos para as refeições devem solicitar aos seus familiares e amigos que residem em outros bairros, via telefónica, que o façam e levem para lá. Deixam no princípio da rua e os moradores vão buscar.

O mesmo acontece com quem necessita de gás-butano. “Há situações completamente compreensíveis. O bairro teve caso positivo e estão a evitar o máximo. Tudo bem. Mas têm que abrir algumas excepções, porque isso não é um condomínio”. Em seu entender, se as coisas continuarem assim, as pessoas poderão não suportar, por se tratar de um bairro em que os serviços básicos, como de limpeza e fornecimento de água, Vêm de fora.

Viver sob suspeição
Os moradores que mantiveram contacto director com o paciente Caso 26 estão em suspeição, aguardando em casa que sejam levados ou chamados para testarem se estão ou não contaminados com a Covid-19. no bairro surgiram informações de que esse processo está para breve. A aflição é maior para aquelas famílias que vivem com proventos provenientes de actividades informais ou aqueles, como seguranças, que têm necessariamente de ir trabalhar.

Os teletrabalhos também é visto como alternativa, porém, somente funciona para aquelas pessoas que têm computador e internet em casa. “Eu ainda tenho a possibilidade de trabalhar em casa, mas há quem não deve ter. É complicado”, desabafou outra moradora.

Manifestou ser seu ensejo que a Comissão Multissectorial de Combate à Covid-19 tenham em conta que a carência de serviços sociais básicos no bairro pode tornar bastante difícil a vida dos munícipes. “As pessoas não estão autorizadas a entrar nem que tiver luva e mascara. Como é que uma criança pequena vai conseguir sobreviver nessa situação? É extremamente complicado”, desabafou. De realçar que a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, revelou, há dias, que há estudos que demonstram que o tempo de incubação do vírus chega até 50 dias.

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