Duas estreias assinalam quatro anos de existência do “Grupo Experimental de Teatro”

trata-se de “Mutaba no país de Surumi” e “Sasha Big Show” cujas estreias deverão ocorrer em data a anunciar, face a situação emergencial que o país vive

O Grupo Experimental de Teatro (GET) assinala, neste mês de Maio, o quatro aniversário da sua existência e para comemorá-lo estão previstas duas estreias ainda no decurso deste ano, tão logo as condições sanitárias face à Covid-19 estejam normalizadas e os eventos com públicos autorizados. A informação foi prestada a OPAÍS pelo director artístico do GET, Paulo Bolota, que explicou que em tempos normais, para comemorar a data, fariam espectáculos grátis para instituições de caridade. Infelizmente, lamenta o responsável, devido à situação que se vive, este ano hão-de festejar não em Maio, mas tão logo seja possível o retorno às actividades públicas. No entanto, o GET pretende continuar a experimentar novas linguagens de fazer teatro.

Ou seja, o “Experimental nunca vai crescer/amadurecer, mas podemos, estamos a criar projectos e produtos maduros”, aferiu Paulo Bolata. Assim, para este ano, o GET tem prevista a estreia de “Mutaba no país de Surumi (nome provisório) inspirado na obra “O país de Surumi” de Isabel Lafayette, interpretada em três línguas nacionais e em português, cujos ensaios ja haviam começado. Ainda como produto para 2020, o GET tem igualmente previsto o lançamento “Sasha Big Show”, um produto que tem sido amadurecido nos últimos quatro anos e agora sentem-se confiantes o suficiente para o propôr ao público.

“A situação de estado de emergência, impede-nos de ter uma data certa para as referidas estreias. Entretanto, continuaremos com o nosso teatro em salas de espectáculo (Centro Cultural Camões, Casa das Artes, Elinga Teatro) e ao domicilio (creches, escolas, aniversários e outros), tão logo possamos fazê-lo”, almeja o encenador.

Preocupação Apesar de fazer um balanço das actividades considerado bastante positivo, nos últimos quatro anos, e ainda haver muito a fazer e aprender quanto ao desafio do teatro, sobretudo o infantil em Angola, as salas de exibições continuam na agenda das preocupações dos grupos. Paulo Bolota refere que esta é uma situação que precisa de ser urgentemente tratada. A arte no geral (teatro, música, dança, artes plásticas, a literatura, entre outras) é fundamental em todos os aspectos de formação do ser social.

“A arte cria identidade. Então é importante que se preste atenção, principalmente, à questão dos locais. As Artes Plásticas e a Música têm, mais ou menos, o seu espaço criado. Já o teatro e a dança estão com grandes necessidades. Ha quem defenda que arte faz-se em qualquer lado. Não tanto assim”, discorda Paulo Bolota.

Para este experimentado encenador, são sempre necessárias as mínimas condições técnicas e de logística para uma exibição de qualidade. Para o efeito, é aí onde deve recair a aposta, criando as condições, principalmente numa altura em que se pede que a arte seja rentabilizada. “Mas tem de haver, por todo o lado, espaço pronto para receber actores e público”, finalizou Paulo Bolota, director e encenador de teatro de animação infantil.

reportório get Desde a sua fundação, em 2016, o GET conta no reportório cinco peças, designadamente “Yanri, a Menina das Cinco Tranças” de Ondjaki, “As Orelhas de Mutaba” (Versão 1 e 2) de Isabel Lafayette, “O Quebra Línguas” de criação colectiva e de recolha de vários autores, e o “Conta me um Conto” (Exercícios I e II) também de criação colectiva. Saliente-se que o “Sasha” é um personagem interpretado por José Abel Pedro, especialmente criado para o público dos 0 aos seis anos, vai já na sua 18ª produção. Todas elas de criação colectiva.

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