Por outro lado…

Se por um lado a propagação da Covid-19 deixa o mundo em sentido e recorda a fragilidade humana, quer biológica, quer social, por outro lado, o engenho humano, o humor e a investigação científica estão em alta. A humanidade quer sobreviver; Se por um lado a Covid-19 afastou fisicamente as pessoas, há artistas que nunca tiveram tanto público nas suas apresentações como aquele que lhes estão a proporcionar, agora, as plataformas na Internet; Se por um lado há postos de trabalho em perigo, assim como empresas, por outro lado há quem se esteja a reinventar a economia, negócios e as relações laborais.

O mundo está a transformar-se; Se por um lado as redes sociais começaram a filtrar também elas as fake news, por ser hora de seriedade e as audiências estão atentas e exigentes, por outro lado, as pessoas estão mais seguras com a informação jornalisticamente bem tratada, e dizem-no; Se por um lado as mortes aos milhares em vários países poderiam ser elementos mais do que suficientes para protestos contra os governos, por outro lado, estes aproveitaram, na sua maioria, o caminho do multilateralismo para agir.

Quase todos preferiram tomar as medidas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde, recuperando crédito, a imagem de responsabilidade e dando sentido à existência de organizações supranacionais: Se por um lado algumas grandes potências pensaram nas suas economias, talvez ligando-as ao sentido de voto, por outro lado, as suas sociedade mostram que preferem antes a vida, o resto pode esperar, haverá tempo; E, se por lado há governos que já tinham a corda no pescoço por causa da situação económica e social dos seus países, por outro lado, o silêncio ético das oposições durante a pandemia e os estados de excepção decretados deram-lhes todo o palco para se mostrarem “capazes”, e poderão voltar a ganhar as próximas eleições nos seus países.

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