Carta do leitor: É preciso governar para os pobres

Estimado Director, É com o mais elevado respeito e consideração que me dirijo a vossa excelência através desta missiva. Ao longo de 45 anos de Independência, sinto na consciência e na carne que pouco ou nada se fez para diminuir o numero de cidadãos carentes nos múltiplos aspectos e necessidades. Até hoje, o pobre cidadão não tem o pão na mesa. Acontece no dia a dia, quando o respeito humano exige ao contrário. Prometeu-se muito e nada se viu.

É doloroso que num país com terra para produzir tudo e traduzir-se no bem das populações mais sofridas, nos deparamos com gente a morrer de fome. Infelizmente, com a mortífera presença do novo Coronavírus no mundo desde 19 de Dezembro do ano passado, a situação agravou-se, como se não basta-se a crise imposta pela baixa dos preços do petróleo, único produto de que depende o nosso pais. É zanla a serio. Desde Março deste ano, centenas de pessoas a pedirem pão, arroz, açúcar, feijão, óleo, etc., para segurar o estômago.

Graças a Deus, algumas instituições e pessoas singulares vão oferecendo uma cesta básica aqui e acolá. Mas não dá para satisfazer uma maioria. São milhares de barrigas a tremer de fome.
Aliás, não fica nada bem sermos tratados como mendigos. É humilhante.

Choca e dói. Muitos de nós, que vamos tendo o pão à rasca e com sérias dificuldades, gostaríamos de ajudar e acudir os irmãos sem nada. Mas, o nosso fraco e triste salário não dá para esticar a mão solidária. Com Covide-9 e o petróleo baixíssimo ou não, temos de nos esforçar ao máximo para trabalhar a terra e dela colhermos os frutos. Meus Senhores.

Não se esqueçam que o Presidente Agostinho Neto Já havia orientado: “A Agricultura é a base e a indústria o factor decisivo”. Será preciso orientar todos os dias? Claro que não. Tem que se sair das palavras a prática. Não temos outra solução. Apesar dos erros cometidos, sendo alguns até de palmatoria, estou convencida que a nova era com o Presidente João Lourenço vai fazer jus a celebre palavra de ordem do saudoso Presidente Neto.

Contudo, entendo e respeito o que o Presidente José Eduardo dos Santos fez de bem. Não foi um mar de rosas. Temos que reconhecer e dar o nosso perdão pelo mal cometido. Um perdão para o bem do país e da nação. Termino esta carta com a outra máxima de Neto, que certamente nunca morrerá. “O mais importante é resolver os problemas do Povo”. Unidos, vamos cumprir. É preciso governar para os pobres.

Ana Maria Bizerra Machado

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