“A Covid-19 nos tem feito valorizar mais a palavra de Deus”

O músico gospel Guy Destino apela aos cristãos a que convidem as famílias a renderem- se a Deus, por considerar oportuno nesta fase de confinamento social. Em conversa exclusiva com OPAÍS, o artista referiu que entre tantas coisas tristes que ocorrem devido a essa pandemia, tem seleccionado apenas as boas, e uma delas é o facto de valorizar mais a palavra de Deus

Pelas dificuldades que vivem os artistas na “arena” gospel, por falta de espectáculos antes mesmo do Decreto do Estado de Emergência, o músico defende que seja necessário repensar-se esta questão, tanto no momento anterior como no posterior à Covid-19, de modo a que seja estabilizada a questão económica dos músicos.

O que tem estado a fazer nesta fase de situação de emergência, em que as actividades religiosas continuam proibidas, devido ao grande público que acolhem?

Para mim, quase nada mudou, porque tenho dois estúdios, um deles está em minha casa. Então, tenho aproveitado fazer novas produções, acabar o conjunto de trabalhos que posso, de produção, mistura, masterização, labores que não exigem a presença de muita gente.

E em termos de actividades de certo que ficou afectado?

Não tem havido nada, mas tenho um estúdio com sala de ensaios, onde tenho gravado actividades que divulgo nas redes sociais. Se acompanharem o meu canal de Youtube, Guy Destino TV, ou então no Facebook e instagram há lives feitas com concertos que denominei “Momentos sublimes de adoração”, disponibilizados aos Sábados às 17 horas. Tem sido na mesma edificante, tanto para nós que fazemos quanto para aqueles que acompanham. Isso requer ensaios à distância e às vezes presencial, com um número reduzido de pessoas da banda, mas tem sido uma bênção para todos. Pensando na Internet local, estes conteúdos nunca duram mais de uma hora, para que as pessoas não se cansem, e tenho sempre um convidado, apenas da música sacra, que participa a meio do programa. Fizemos também um dueto, sempre a seguir às medidas preventivas.

E por que não incluir cantores da música secular, pelo facto de estarem a trabalhar para o mesmo objectivo?

São sempre e só cantores gospel, sem nada contra os meus outros colegas. Só para ter ideia, o meu padrinho não canta esse estilo musical. Nada contra! A Bíblia também diz que tudo que tem fôlego louve ao senhor. Mas até agora só tenho convidado músicos gospel, por vários motivos, que não vale a pena especificar, até porque no nosso país não é bem visto.

Como assim?

Eu posso cantar em minha casa, dividir um momento de oração e louvarmos a Deus. É o que Deus quer, mas o mundo nem sempre vê isso como uma mistura agradável. Então, se eu puder evitar escandalizar ao mundo, não faz mal. Enquanto faço quando posso, não há problemas. Até porque a Bíblia diz que nem todo o cristão louva ao senhor, mas que tudo que tem fôlego louve ao senhor. Claro que louvar ao senhor é algo intimista entre a pessoa que faz e a quem nós louvamos. Isso é verdade. Mas por enquanto convido apenas cantores da música sacra para o momento.

O que pretende exactamente com esses lives, que também entretêm e sensibilizam adimiradores?

Eu não procuro fama, mas ela deve procurar por mim pelo trabalho que faço. A Bíblia diz que pelos seus frutos os conhecereis. Prefiro fazer o meu trabalho, e quanto mais com excelência e reverência. Claro que será impactante e comoverá os corações que nos seguem. Então, para quem segue as minhas plataformas, nas redes sociais, devo fazer uma coisa que lhes impacta o coração para Deus e para os que me seguem. Isso é recíproco. É assim que tem funcionado comigo.

Os artistas contimuam a reclamar a falta de actividades e, por essa razão, não têm como rentabilizar e de igual modo não conseguem arrecadar algum valor. É da mesma opinião?

A dificuldade afecta a nossa classe e não só. Mas, conforme disse, tenho uma escola de música, um estúdio de gravação, uma produtora, não temos tido actividades, naturalmente, para não aglomerar o público, mas tenho tido um ou outro negócio que envolve, mas não está fácil, realmente. A dificuldade é geral. Não vou dizer que para mim está fácil. Por isso digo que temos de repensar e recrear, para ver se conseguimos tirar esse excesso de dificuldades que temos em relação ao rendimento. Mas também, nós os cantores gospel, ao cantarmos nas igrejas, dificilmente éramos abençoados.

Porquê?

Raramente quando fóssemos a uma igreja cantar num Domingo, o ouvimos o pastor dizer: olha, te abençoo com isso… São poucos os que fazem. Por isso, antes mesmo de falar do momento actual, devemos reflectir o momento anterior, em termos de espectáculos, que não eram tantos. A classe gospel deve ser repensada tanto no momento anterior quanto no posterior à Covid-19. Mesmo quando na igreja o pastor anunciasse a venda de um disco, os crentes compravam, mas não como gostaríamos, porque a crise económica já os afectava. Mas ainda assim, insisto em dizer que precisamos reverter as hipóteses de actividades. Estamos a estudar essa questão que vão alavancar, dar mais estabilidade a questão económica dos músicos.

Que conselho deixa aos cristãos nesta fase, em que se vive o confinamento, sem a possibilidade de irem às igrejas adorar a Deus, conforme era hibitual?

Tenho dito que todo tipo de impunidade requer unidade. E a Bíblia diz que a impunidade do Senhor é para todos aqueles que o temem, e a estes Deus os galardoa. Então, em todo o tipo de impunidade que paspassamos, precisamos ter uma unidade com quem nós temos intimidade. E agora que estamos em casa, temos mais liberdade de expressar, porque estamos em família. Então, a intimidade é mais próxima, porque conhecemos os nossos defeitos e qualidades, temos ligação familiar e isso é o verdadeiro sentido da igreja. Assim como a socialização começa em casa, na educação familiar, o espírito do cristão também.

Neste caso, acha que se deve apelar àqueles que não costumavam fazer e agora o fazem no seio da família?

Sim! Mesmo que o pai antes não orava, essa é a maior oportunidade de fazer o possível de ganhar a alma daqueles que estão em casa. Você que ora e a sua mãe não o faz, o seu marido, filho, aproveite agora ganhar as suas almas, porque esse é o momento oportuno de fazê-lo. De tantas coisas tristes que acontecem devido a esta pandemia, tenho seleccionado agora as coisas boas da Covivid-19.

Quais são?

Uma delas é esta, onde nós valorizamos mais a palavra de Deus. É que nos deixemos de diminuir a Deus, de subestimar o seu poder, porque Deus age como quer, onde ele quer e para quem ele quer. Então, essa situação da Covid-19 só vai acabar quando Deus quiser.

E como evidenciar o papel dos pastores?

Não desvalorizamos a igreja de Cristo, nem tão pouco, mas vi alguns pastores brasileiros e não só dizerem: agora é que vamos ver os falsos profetas, mandem os vossos lenços à Itália… Isso é uma fraqueza espiritual. Venha de quem vier, mas para mim é uma fraqueza espiritual. Não podemos dar créditos neste momento, nem querer julgar os outros pastores, porque não tiveram tempo de fazer “milagre”. Este momento para mim é de reflexão e de fazermos aquilo que não fazíamos antes. Há aqueles que não tinham tempo de estar com as suas famílias, mas dirige uma igreja com mil membros. Agora sim é oportunidade de primeiro avalizar os que estão em casa, e depois estreitar a nossa intimidade com Deus, porque o sentido verdadeiro da igreja é local.

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