Sociedade civil apoia medidas do Executivo contra a Covid-19

Em função da prorrogação pela terceira vez consecutiva do estado de emergência nacional, até ao dia 25 deste mês, organizações da sociedade civil louvam a iniciativa do Governo, mas apelam para a implementação de medidas para a protecção social dos mais desfavorecidos

O activista cívico Abílio Sanjaia, da Associação e Des envolv imento Rural e Ambiente (ADRA), sugere que o Governo trabalhe com as organizações da sociedade civil, igrejas, ONG e com outros grupos para melhor identificar as famílias mais vulneráveis nos municípios, comunas e aldeias.

Em entrevista a OPAÍS, a fonte sugeriu que este apoio deverá circunscrever- se na aposta na agricultura de subsistência, sendo que a maior parte das famílias angolanas é camponesa.

“Se o Estado fizer isso, com certeza que, durante este período, as famílias poderão ter muitos alimentos, não só para a sua sobrevivência, mas também para a exportação”

O especialista sugeriu que esta medida poderá dar resposta às prementes necessidades das comunidades, por um lado, e, por outro, para o país começar a ensaiar a limitação de importação de bens que também são produzidos internamente

Na opinião da fonte, o objecticvo será o de potenciar os camponeses e os agricultores para a auto- suficência alimentar, aliandose aos projectos do Governo já em carteira.

Abílio Sanjaia sustentou que, no combate à pandemia da COVID- 19, uma das grandes prioridades do Governo deverá estar vivirada para os sectores da Energia e Água, Saúde e Educação, sem deixar de fora os outros sectores.

O especialista em agricultura comunitária discorda da atribuição do subsídio de 8 mil e 500 kwanzas/mês para as famílias mais desfavorecidas, justificando que este valor não serve para a realidade das famílias angolanas.

Mais apoios

Por outro lado, para o director da organização Friends of Angola, Rafael Morais, as medidas implementadas pelo Estado, até ao momento, não foram capazes de dar uma resposta satisfatória às famílias vulneráveis, de modo a mantê- las em suas casas.

Apontou que a distribuição de alguns produtos da cesta básica e outros bens tem sido insuficiente para acudir as necessidades da maior parte da população, desde o primeiro estado do emergência, pelo que, desta vez, para além do aumento de dias de semana para a venda, poderá minimizar outros mais importantes.

Manifestou- se satisfeito com a prorrogação do estado de emergência, justificando que o Governo tomou as medias mais acertadas, tendo em conta o perigo que representa a Covid-19 para a vida humana.

Ajudar famílias desfavorecidas

Por outro lado, o director do Observatório Político e Social de Angola (OPSA), Sérgio Calundungo, espera que, com a prorrogação do estado de emergência, o Estado estude e possa implementar outras medidas, sobretudo a pensar sempre na protecção social e nas famílias mais desfavorecidas…

Entende ser necessário criar medidas para que a maior parte da população possa ter acesso a produtos da cesta básica, água, produtos de higiene e outros meios de protecção para evitar que as pessoas saiam de casa sem necessidade.

Avançou as experiências anteriores deram para perceber a necessidade de se criar medidas compensatórias para as famílias mais vulneráveis, acção que deve envolver os parceiros sociais do Governo.

Disse ser importante a consciência de todos para se prevenirem contra a pandemia, numa altura em que os números de infectados continua a subir, apesar das medidas profilácticas das autoridades sanitárias e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Maria Miranda Cassule

error: Content is protected !!