Carta do leitor: Funeral em Malanje

Por: João do Nascimento
Luanda

Há dias, um vídeo divulgado, provavelmente, por moradores de Malanje indicaram a falta de cumprimento por parte dos populares desta província, durante um funeral, das normas de distanciamento social. Apesar dos apelos feitos pelas autoridades, para que as pessoas não se aglomerem, o que tivemos a oportunidade de assistir foi um grupo de cidadãos que mandou às urtigas as recomendações.

O pior de tudo é que as pessoas não o fizeram às escondidas, como se procura hoje ultrapassar algumas das recomendações emanadas no Estado de Emergência. Fizeram uma passeata até à porta do cemitério, com cânticos e outras mensagens que foram sendo evocadas.

Acreditamos que a Polícia esteja a fazer o seu trabalho, do mesmo modo que o Governo Provincial de Malanje vai procurando sensibilizar os malanjinos e todos os que habitam naquela província sobre os males, mas é imperioso que se trave estes casos esporádicos, sob pena de se repetirem nos próximos tempos.

O momento pode ser difícil para todos. Do mesmo modo que é não poder se despedir de um parente, convenientemente, porque a circunstância assim impõe. Mas, tendo em conta os nossos hábitos e costumes, tão logo passe a pandemia do coronavírus será possível realizar outras cerimónias no sentido de se permitir que todos aqueles que partiram nesta fase tenha uma despedida melhor.

Os religiosos, certamente, poderão optar por uma missa, ao passo que os outros que não confessam qualquer religião deverão, consoante a tradição de cada um, recorrer às cerimónias tradicionais que se conhecem por este país. Mas, enquanto isso, as autoridades devem demonstrar o que valem, nem que para isso recorram aos meios à disposição para evitar os aglomerados devido ao perigo que representa.

Mais vale prevenir do que remediar.

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