Pediatra alerta para riscos de pneumonia e Covid-19 em época de Cacimbo

O médico pediatra Leite Cruzeiro alerta aos pais e encarregados de educação que devem adoptar o método mais simples, correcto e eficaz para poupar as crianças de doenças respiratórias, que consiste em não deixá-las fora de casa e ao frio, principalmente na época de Cacimbo

O especialista, que falava recentemente na palestra “Covid-19 e a comunidade pediátrica”, promovida pelo Centro de Imprensa Aníbal de Melo, declarou que o tempo de frio poderá trazer algum diferencial maior de crianças com problemas respiratórios do que acontece na época de calor, alertando que a criança é um ser muito peculiar, muito difícil de o pôr a usar a máscara correctamente.

Por outro lado, aconselha os técnicos de saúde a saberem diferenciar as doenças respiratórias causadas pelo tempo do Cacimbo, que se avizinha, da Covid-19. O que, em seu entender, pode ser feito com a criação de um critério para se conseguir diferenciar os sintomas de outras patologias com os da Covid-19.

“Eu chamava atenção a todos nós, de uma forma geral, a termos o grande critério de conseguir diferenciar uma coisa da outra. Sem testes é quase impossível, mas realmente há que criar mecanismos epidemiológicos uma vez que não podemos testar todo o mundo”, apelou.

Reconhecendo que não há essa capacidade de testagem global e que nenhum país do mundo tem, sugere que se pode saber seleccionando da melhor forma as crianças para não deixar passar despercebido “nem de uma coisa nem de outra”.

Salientou que com a chegada da época de cacimbo, as medidas de prevenção continuam a ser as mesmas, isto é, cumprir sempre as orientações, não expor as crianças fora de casa para evitar possíveis contágios. “Os técnicos das unidades sanitárias devem ter experiência noutras patologias, para poder fazer a exclusão da Covid-19, porque ninguém tem experiência desta pandemia”, advogou.

Por outro lado, desabafou que não se pode pensar que as crianças não deverão cumprir o que está estritamente estipulado como normas no país.

Vírus com elevada capacidade de contágio

Leite Cruzeiro disse ainda que em relação à Covid-19 têm tido muitas surpresas no comportamento das crianças. “Nós na pediatria temos visto que, realmente, essa transformação é muito grande. Há sinais e sintomas que não existiam e que hoje começamos a ver”, realçou.

O médico pediatra fez saber que a Covid-19 tem uma capacidade de contágio muito grande e que não há outra forma de protecção se não aquelas medidas adoptadas, mundialmente, bem como as anunciadas diariamente pelo Ministéro da Saúde.

Crianças consideradas grande veículo de transmissão da Covid-19

O médico pediatra Leite Cruzeiro alerta que grande parte das crianças, como são assintomáticas, quando estão infectadas pela Covid-19 não têm sintomas, pelo que, poderão ser um grande veículo de transmissão aos adultos. Por essa razão, aconselha as pessoas a cumprirem as medidas de prevenção.

Explicou que o confinamento é muito importante e que o vírus é relativamente pesado e tem menos capacidade de ser projectado ou migrar para o outro.

Quanto aos sintomas dos doentes pediátricos, crianças com Covid-19, esclareceu que os sintomas clássicos desses doentes é a tosse, dor de garganta, febre e, posteriormente, poderá ou não 3 a 5 por cento dos casos evoluir para uma pneumonia das crianças.

No entanto, a forma de apresentação tem sido peculiar, por existirem crianças que apresentam um quadro gastroentérico que, a partir daí, os investigadores começaram a pensar que pudesse haver nestas crianças uma contaminação pela boca e, por isso, esse comportamento como diarreia e vómitos como se fosse o vírus.

“A febre que é peculiar nos adultos não se manifesta, ou pelo menos, num grande número da China não se manifestou com intensidade de febres igual a comportamentos de adultos. Em média, essas crianças apresentam uma febrícula 37 e 37,5 graus. Não mais do que isso”, contou.

Leite Cruzeiro salientou que as mãos são o principal veículo de transmissão de muitas doenças e, por isso, hoje, deve-se lavar as mãos bem como desinfectar com álcool-gel. Uma vez que este vírus tem a capacidade de não sobreviver em contacto com o sabão e o álcool.

Esclareceu ainda que as crianças transmitem os vírus como os adultos, pelas gotículas, bem como se tocarem em mucosas dos pais e nunca transmitem de forma diferente.

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