Um preço alto

A Itália registou ontem 165 novas mortes por Covid-19, o número mais baixo desde 09 de Março, totalizando agora 30.560 óbitos, segundo dados da Protecção Civil. Ou seja, a Itália voltou aos números do início do seu “desastre”, está a recuperar, mas olhe-se para o total dos mortos em cerca de dois meses: mais de trinta mil. Este é o rosto monstruoso do vírus. É o preço do comportamento perante o vírus.

O primeiro-ministro Conte diz que no Verão os italianos poderão desfrutar das belezas do seu país, ou seja, terão deixado o confinamento a que estão agora sujeitos. Trinta mil mortos em dois meses num só país, há que pensar nestes números para se perceber o perigo que o mundo enfrenta. Não há país mais vulnerável do que outro, há uma doença que mata pessoas. Os angolanos devem ter isto em conta.

No nosso caso, os números começam a crescer. Devagar, mas crescem. E com o aumento da testagem tenderão a crescer.

Pode-se discutir a maior ou a menor competência do Governo, se este e aquele estão bem ou não, se há um ou outro a ganhar dinheiro com a doença, discuta-se o que se quiser, mas em primeiro lugar há que adoptar comportamentos pessoais que cortem a propagação do novo Coronavírus. A Itália poderá voltar à rua já no próximo mês, apanhar sol, mergulhar no mar e subir montanhas, poderá voltar a sorrir, mas terá, necessariamente, um gosto amargo na boca, terá menos luz no sorriso, depois de ter enterrado mais de trinta mil pessoas em dois meses apenas, na maioria dos casos sem as devidas despedidas, sem o devido choro. Houve uma ida ao hospital e que se tornou eterna. Milhares e milhares de italianos vão ter de viver com isso, com esta dor. Os angolanos sabem do que se trata, milhares de famílias não conseguem, ainda hoje, virar a página, não estão em paz, porque não enterraram os seus que as guerras levaram. É isto o que se deve evitar que volte a acontecer em Angola. Há que saber que a atitude de cada um tem um preço, que pode ser demasiado alto. Cada um deve saber o que está disposto a pagar.

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