É preciso salvar o Jornalismo

Imagina um mundo sem jornal, rádio, televisão e sem Internet. Saberiamos muito pouco sobre o que nos rodeia, certo? Mas, quem lhe garante que o que nós recebemos dos órgãos de comunicação social é o reflexo real de tudo que nos rodeia?

Durante décadas os estudos do campo da comunicação esforçaram- se em separar o joio do trigo. Comunicação da informação, isto é, a hierarquização da Propaganda, Publicidade e do Jornalismo. Cada um no seu “quadrado”.

Nesta relação, antes da ganância da economia de mercado mostrar-se voraz, o Jornalismo gozava de um prestígio invejável, por causa da sua matriz que se traduz na divulgação de informação de interesse público através da objectividade, rigor e isenção na narração dos factos, tendo por base a verdade, dado que lhe proporciou tamanha credibilidade junto das massas.

A inveja foi tanta que de tamanhas bandeiras que a Propaganda e a Publicidade têm dado, espantaram a caça da fama de que gozavam junto de seus públicos. E pela agitação de um olheiro intruso vindo das terras da gestão conhecido por Marketing, o Jornalismo foi tomado de assalto pelas duas formas de comunicação, e, desde então, o seu carácter tem sido posto em causa, com o agudizar da fome que o assolou e a sua condição indigente, confinou o seu legado histórico de vigilante dos direitos fundamentais no estômago.

Apesar disso, o Jornalismo, por si mesmo, tem feito de tripa o coração, espalhando fragmentos do seu ADN nos diferentes media detidos por grupos divergentes em que os seus princípios gerais estão codificados nas políticas e linhas editoriais dos órgãos; de sorte que o académico brasileiro Inácio Strider disse uma vez o seguinte: “…

quem se contentasse com as informações e programas de apenas um canal de televisão, rádio ou apenas com um título de jornal; com certeza não teria suficientes elementos para fundamentar uma visão adequada da realidade, pois nenhum meio de comunicação sozinho é capaz de nos revelar a realidade em sua totalidade”.

A historia dos meios de comunicação social em Angola remonta do séc. XIX, concretamente aos 13 de Setembro de 1845, com a publicação do primeiro periódico angolano, o Boletim Oficial. 174 anos depois, o sector da comunicação social registou avanços galopantes com o surgimento da rádio, televisão e da Internet.

Entretanto, o curso superior em comunicação social data de 2002. Ora, se quisermos minimizar, desde a promulgação da Lei de Imprensa nº 22 de 15 de Julho de 1991; por que o Estado nunca honrou o compromisso de estabelecer um sistema de insentivo de apoio aos media para assegurar o pluralismo da informação? Que classe jornalística o país tem hoje? Como estamos ao nível do ensino e em termos de diversidade de órgãos de comunicação social? Os títulos ainda vivem? Por que ainda não temos uma legislação que permita o surgimento de media comunitário? Como estamos ao nível da qualidade de conteúdos divulgados pelos media angolanos? Com a actual governação, o que mudou legislativamente no sector da comunicação social?

O Jornalismo, enquanto instrumento leitor da realidade, pode contribuir na construção do homem íntegro mediante a seleccão de factos sujeitos aos critérios de noticiabilidade da profissão, que inclui um tratamento simples e transparente para auxiliar o cidadão a compreender os fenómenos políticos, económicos, religiosos e sociais com imparcialidade, proporcionando-lhe deste modo ferramentas que o ajuda a construir opnião e tomar partido com base numa informação equilibrada e imparcial, divulgada pelos órgãos de comunicação social.

A isso convecionou-se chamar: Jornalismo. E na história das sociedades democráticas, as garantias e liberdades fundamentais constitucionalmente consagradas e tidas por preciosas pela profissão não são um presente dos poderes instituídos, são uma conquista do Direito Positivo para o bem da maioria.

Amadeu Cassinda

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