Os nossos artistas no mundo das estrelas

Vieram-me à lembrança nomes de artistas que hoje navegam na maré alta da fama e nos fazem sentir orgulho por vê-los junto das estrelas.

Em Angola, poucos são aqueles que a sorte projectou para longe e hoje constituem o orgulho da bandeira que ostentamos, fazendo vibrar os nossos corações de alegria e felicidade.

Estou a referir-me em primeiro lugar a Bonga, que, com o seu profissionalismo, bate recordes de espectáculos e vendas.

Vem a propósito aquele momento em que o actor norte- americano Willy Smith, lá longe no conforto do seu país, apontou o angolano Bonga como um dos seus preferidos, cantarolando a canção Bonga – Mona Ki Ngi Xica, que até hoje põe de sentido qualquer angolano, mesmo aqueles que ainda não eram nascidos quando o atleta emprestado à música lançou sob a chancela da Morabeza Records, o vigoroso hit que anda gravado nos nossos corações.

Ao que sabemos, as palavras de Will Smith tiveram um efeito ventania na procura do CD e não sei se na altura a editora Lusáfrica, que prensou o álbum em Paris. teria respondido ao surto de procura que ocorreu após o elogio a Bonga.

O autor de “Velha Chica”, Waldemar Bastos, é uma enciclopédia viva, depois de uma longa travessia no deserto, lutando contra ventos e marés vivas, atingiu o topo da carreira ao ter o seu nome na World Music equiparado a um Youssuf N´Dour, Cesária Évora, Bonga, Richard Bonan, Manu Dibango, que Deus tem, Ray Lema, Mory Kanté, Ricardo Lemvo, Papa Wemba e tantos outros ilustres nomes da canção africana.

No que toca a Bonga e Waldemar Bastos vale a persistência de terem conseguido moldar os seus estilos sem as interferências de quem quer que seja e impô-los a um público que não fala quimbundo, umbundo, kikongo ou outra língua nacional, mas vibra com as suas vozes e atracção magnética dos ritmos quentes de Angola, como diria Carlos Burity numa das suas melodias.

A dupla Filipe Mukenga e Filipe Zau representa uma elite que faz a transposição dos ritmos populares de Angola, com a métrica moderna, constituindo um grupo onde vamos encontrar personalidades de nível, como Mário Rui Silva, Nelo de Carvalho, com telepatias a um naipe de jovens como Kizua Gourgel, Totty Sa Med, Afrikkanitha, Carlos Praia, Ndaka Yo Wiñi, Sandra Cordeiro, que fazem as delícias de uma elite que se afirma no domínio da música de inspiração jazzística.

A música instrumental tem individualidades como Belmiro Carlos, Brando, Constantino, Duía, Mário Arcanjo (Marito), Mário Fernandes, Zé Keno, Zé Mueleputo, à guitarra nos seus respectivos agrupamentos com uma classe de novos interventores, não suficientemente conhecidos no actual e débil mercado, mas que dão provas de atingirem o estrelato, quando a música angolana estiver em grande no mercado. O guitarrista Teddy Nsingui emerge da Orquestra Interpalanca, de Matadidi Show. Trouxe de Kinshasa a malha rítmica congolesa e é hoje no mercado angolano um exímio executante de temas universais com uma versatilidade e precisão como poucos em Angola, que é resultante da sua ambivalência na execução da originalidade angolana e das margens do rio Congo.

No capítulo instrumental registam- se os projectos em saxofone lavrados por autores como Nanutu, Sanguito e outros que em palco aguardam o momento para se lançarem no mercado discográfico. E nos arranjos musicais? Betinho Feijó, Boto Trindade, Carlitos Vieira Dias e Belmiro Carlos, Mário Fernandes (RIP), Nanutu e Zé Keno (RIP) são figuras de proa numa disciplina rítmica em que são reis e senhores.

André Pinto

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