UNITA quer Job Capapinha fora do Cuanza-Sul por suposto escândalo financeiro em aluguer de viaturas

Informações postas a circular revelam que o Governo Provincial do Cuanza-Sul, chefiado por Job Capapinha, efectuou, recentemente, o pagamento de mais de 49 milhoes de kwanzas a empresa Ango Guerou para o aluguer de 2 viaturas, por um ano, para dois vice-governdores locais, acto que no entender da UNITA representa “um escândalo vergonhoso”, a julgar pela “crescente situação de fome e de miséria” que o provincia enfrenta

O secretário provincial da UNITA no Cuanza- Sul, Armando Kakepa, exige a imediata exoneração de Job Capapinha do Governo local, pelo recente pagamento de mais de 49 milhões de kwanzas para o aluguer de duas viaturas para dois vice-governadores. A UNITA, segundo Armando Kakepa, que falava ontem ao OPAÍS, considera a atitude do governador “um escândalo vergonhoso”, a julgar pelo actual contexto social de dificuldades que o país vive, com o somar dos casos de miséria e de fome na província, sobretudo em função da queda do preço do petróleo, que é a principal fonte de receita nacional .

Informações postas a circular revelam que o Governo Provincial do Cuanza-Sul, chefiado por Job Capapinha, efectuou, no dia 21 de Setembro de 2019, o pagamento de mais de 49 milhoes de kwanzas a empresa Ango Guerou para o aluguer de 2 viaturas, por um ano, para dois vice-governdores locais.

A referida empresa terá sido, segundo o site de notícias Correio da Kianda, criada, supostamente, três meses antes do referido pagamento, baseando-se no Diário da República n.º 89, Série III de 04/06/2019.

Para Armando Kakepa, a julgar pelas dificuldades que a província enfrenta, “com centenas de pessoas a padecer de fome e miséria, é inaceitável que um governador que se prese tenha maior preocupação em resolver o problema de locomoção dos seus colaboradores”, que até estão “fartos” de benesses e regalias, do que dar solução às preocupações das populações. Para o político, Job Capapinha, com o gesto, revelou o seu propósito, que é de “servir-se e não servir os cidadãos”. Conforme explicou, para além das benesses e regalias de que os vice-governadores dispõem, os diferentes departamentos do Governo local têm viaturas robustas e que, nesse período de contenção financeira, poderiam servir de apoio aos dois vice- governadores, escusado-se assim de tocar nos fundos públicos para retirar mais de 49 milhões de kwanzas “para satisfazer o capricho” de governantes.

“Até é vergonhoso termos uma cidade do Sumbe totalmente rebentada e vermos os governadores a circularem com carros luxuosos”, lamentou.

“Indícios de esquemas”

Por outro lado, Armando Kakepa entende haver indícios de esquemas nesse processo, a julgar pelo tempo de criação da empresa, que foi três meses antes de se efectuar o pagamento.

Porém, ante as desconfianças, o secretário provincial da UNITA defende a intervenção dos órgãos de justiça para o esclarecimento do caso que, conforme disse, está a chocar a província.

Segundo ainda Armando Kakepa, caso o presidente João Lourenço insista que Job Capapinha fique na província, poder-se-à aumentar os casos de protestos no Cuanza- Sul, situação que poderá manchar a imagem do actual Executivo. “Se João Lourenço defende o combate à corrupção e ao nepotismo, então tem de responsabilizar o seu colabodor por esse incorrer em um grave erro. Em tempo de crise é inaceitável que se tenha condutas escandalosas”, apontou.

Governo promete, mas não reage

Na tentativa de buscar o contraditório, o OPAÍS contactou o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Governo local, António Madureira, para se pronunciar sobre o assunto. O responsável alegou estar numa reunião e quehaveria de retornar a ligação para dar a outra versão sobre os factos. Mas, até ao fecho desta matéria tal não aconteceu.

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