Mais de 16 mil motorizadas apreendidas em 45 dias de estado de emergência

Embora os números do Ministério do Interior dêem conta de uma baixa na criminalidade, o mesmo não se pode dizer dos casos de desobediência ao Decreto Presidencial de Estado de Emergência, já que 16.288 motorizadas foram apreendidas por serem usadas para serviço de mototáxi, numa altura em tal actividade está proibida. A AMOTRANG lamenta a situação

Consta no Decreto Presidencial n.° 82/20 de 25 de Março, no Artigo 29.° n.°3 a proibição da circulação e o exercício de actividade de moto-táxi, enquanto durar o estado de emergência declarado no dia 25 de Março. Apesar de já se estar na terceira prorrogação, com medidas mais brandas, o serviço de táxi por motorizada continua proibido.

Por isso, os números apresentados, à imprensa, pelo porta-voz das forças de defesa e segurança, subcomissário Waldemar José, dão conta de que nos últimos 45 dias foram apreendidos um total de 25.134 veículos automóveis. Por excesso de lotação foram 8.804, e motociclos, por exercício de serviço de moto-táxi foram 16.288.

Esta é uma situação que, numa entrevista ao OPAÍS, o presidente da AMOTRANG, associação dos moto-taxistas de Angola, Bento Rafael, lamentou, pois, apesar dos apelos que tem vindo a fazer nos meios de comunicação, muitos associados insistem em trabalhar, desobedecendo a proibição do Estado de Emergência.

Bento Rafael mostrou-se triste, porque os próprios moto-taxistas sabem que exercendo tal actividade, com a Covid-19 à solta, colocam em risco a sua vida e a vida de seus familiares, porquanto a aproximação entre o condutor e passageiro é inevitável.

“Muitos passageiros agarram- se ao condutor como se fosse cinto de segurança. Neste período grave, a actividade de moto-táxi deve parar, devemos fazer algum sacrifício, mas, lamentavelmente, algumas pessoas insistem em trabalhar. As leis devem ser respeitadas e cumpridas”, disse.

No país, a AMOTRANG procura não se cansar de orientar os seus delegados provinciais no sentido de continuarem a sensibilizar os moto-taxistas a paralisarem temporariamente o trabalho, até passar esta fase difícil.

Desobediência, violações de cerca e corrupção

Recorde-se que na luta contra a propagação do vírus o Estado angolano decretou também a cerca sanitária, cujas violações foram punidas pelas autoridades. Os dados das forças de defesa e segurança apontam a detenção de 37 indivíduos por violação da cerca sanitária.

Foram também detidos, por especulação de preços, 60 indivíduos, corrupção (17) e posse ilegal de arma de fogo (11). Foram apreendidas 13 armas de fogo, de diversos calibres, e 31 botijas de gás butano.

As forças de defesa e segurança que empregaram mais de 80 mil efectivos em todo o país encerraram, por desobediência, vários mercados e lojas, num total de 9.563, sendo 5.522 mercados informais, 1.042 armazéns e lojas, 45 cantinas, 02 empresas, 08 roulottes, 2.944 templos e locais de culto.

No segmento e à luz do Decreto Presidencial, foram detidos cidadãos que circulavam na via pública sem motivo, cujos números transcendem os 16.255, mormente 11.661 por aglomerações na via pública, 3.075 por vadiagem, 1.519 vendedores ambulantes.

Para tal, as forças de defesa e segurança, entre Polícia Nacional, Forças Armadas Angolanas, SIC, Bombeiros, SME, SP, e SINSE levaram a julgamento sumário 1375 cidadãos, sendo 1.252, por infracção do n.º 2 do art. 6.º do Decreto Presidencial de o Estado de Emergência e 123 por especulação de preços.

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