O dom de ensinar

Por alguma razão se inventou a escola, por alguma razão existem os professores, por alguma razão os verdadeiros professores assumem a profissão como uma missão transformadora, por alguma razão são eles os verdadeiros moldadores do mundo, quem dá as ferramentas, quem descobre talentos.

Muitos pais bem formados, porque tiveram bons professores, estão agora a descobrir, com o confinamento, que ter um diploma não chega, que é preciso ter um dom para ensinar. É preciso ter paciência, é preciso ter amor, e, sobretudo, é preciso saber ver a evolução na aprendizagem, ter gosto em sentir que a criança aprendeu mais uma letra, a resolver mais uma operação matemática, a conhecer o nome de mais um rio. Crianças e jovens, e adultos, porque todos precisamos sempre de um professor.

Há pais desesperados, que não conseguem estudar com os filhos, há outros que descobrem que os professores dos seus filhos afinal não são assim tão professores, porque um mau professor pode ser uma espécie de “assassino de futuros em série”, tal como um mau sistema de ensino.

Agora, em Angola, o nosso país, em que a oferta escolar privada é muito maior do que a estatal, há também pais a sentir a diferença entre alguém que abre um colégio por paixão e alguém que o tem como “janela aberta”. Os próprios professores, os de verdade, sentem a diferença entre trabalhar num espaço vocacionado a formar pessoas e num outro em que são apenas peças usadas para a legalização de um negócio.

Esta é uma boa altura para as famílias, os professores e as escolas pensarem um pouco sobre a importância de cada um no futuro de uma criança. Há pais desesperados, que não conseguem acompanhar as tarefas, alguns a rebentar, não porque não amem os seus filhos e precisem de um “depósito” para eles passarem o dia, mas porque ensinar uma criança é um dom que nem toda a gente tem.

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