“Terceiro mandato do PR não está na agenda do MPLA”

O assunto tem estado em debate na sociedade, sobretudo nas redes sociais, mas o deputado Monteiro Kapunga, do maioritário, assumiu neste jornal a sua simpatia pela ideia de ver João Lourenço com um terceiro mandato. Albino Carlos, o porta-voz do partido, explica agora o que realmente consta na agenda do MPLA

O MPLA não está a discutir e nem tem na sua agenda a discussão sobre uma revisão constitucional que altere os termos dos mandatos presidenciais, abrindo a possibilidade de três mandatos consecutivos ou passando de cinco para sete anos por mandato do Presidente da República, disse, ontem, a OPAÍS, o porta-voz do partido, Albino Carlos.

“A responsabilidade destas afirmações fica com quem se pronunciou”, disse, comentando as afirmações do deputado Monteiro Kapunga, do Grupo Parlamentar do MPLA. Com efeito, na edição de 8 de Maio deste diário, o deputado havia se mostrado favorável à ideia, afirmado não se manifestar contra, “desde que isso obedeça a discussões no seio da organização” a que pertence.

Albino Carlos, no entanto, diz que o MPLA não é contra que alguém se pronuncie sobre o assunto, dentro da liberdade de expressão existente.

Razões de Kapunga

“Neste primeiro mandato, ele (Presidente da República João Lourenço) não teve tempo, esteve a tentar olhar quem é quem ao seu redor”. “Está visto que, em alguns aspectos, algumas das acções do Presidente da República estão a ser sabotadas. Se dependesse de mim, claro que ele até poderia fazer mesmo três mandatos, porque em pouco tempo não se consegue fazer muita coisa”.

Mais adiante, o deputado dizia: “mas também já se começam a levantar vozes no sentido de que o Presidente da República não deve ser ao mesmo tempo presidente do partido. São ideias que temos que analisar, por forma a cortar alguns vícios também. Numa fase de paz, talvez que se comece já a pensar muito bem sobre esta fórmula”, opinou Kapunga, de olhos no próximo congresso do partido, no próximo ano.

“Neste momento, o principal objectivo do MPLA é estabelecer um equilíbrio entre a preservação do bem supremo vida, posto em causa pela pandemia Covid-19, e a implementação de um conjunto de medidas para minimizar o impacto terrível desta pandemia na economia e na sociedade. Falo de medidas concretas, que atenuem o impacto nas famílias mais carenciadas. Isto, sim, está na agenda do MPLA”, disse, por sua vez, Albino Carlos.

Por outro lado, o porta-voz do MPLA diz que o partido não está parado na sua acção, constando na sua agenda dinamizar as suas estruturas em todo o país, “capitalizando, cada vez mais, o potencial de mobilização dos militantes para vencer os próximos desafios políticos e eleitorais”.

Outro ponto da agenda do partido é o apoio às acções do Executivo e do Presidente da República no combate à corrupção, o que, além de obter o consenso da sociedade civil e de todas as outras forças vivas, é “o garante da nossa sobrevivência”, associando-a a “políticas concretas visando a estabilidade socioeconómica e financeira do país”.

Um terceiro ponto da agenda do MPLA, disse Albino Carlos, passa pela consolidação da paz, da unidade nacional e da democracia, procurando, sempre, obter consensos sobre os grande temas com as forças vivas do país, como os partidos políticos, as igrejas e organizações da sociedade civil.

Compromisso com as autarquias

O MPLA está “empenhado em avançar para as autarquias, e isso se demonstra com a forma como estão dedicados os seus deputados na Assembleia Nacional na aprovação do pacote legislativo autárquico”. Além disso, Albino Carlos citou também a reforma do Estado, dando como exemplo a recém criada Comissão para a Reforma da Justiça e do Direito.

Por fim, relembrou que as medidas para atenuar o impacto da Covid-19 visam igualmente o relançamento da economia nacional tendo em conta este mesmo impacto

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