“Caso 31” eleva contagem para 48 infectados de Covid-19

Nas últimas 24 foram confirmados mais três casos de transmissão local de Covid-19 no país, perfazendo um total de 48 casos positivos. Trata-se de cidadãos que mantiveram contactos com o “Caso 31”, revelou, ontem, o secretário de Estado para a Saúde Pública, Franco Mufinda

O secretário de Estado para a Saúde Pública revelou existirem três novos casos de contágio em Luanda, ontem, ao apresentar, no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, o habitual balanço diário sobre a situação epidemiológica do país. “Temos mais três casos de transmissão local. Tratam-se de moradores do bairro Hoji ya Henda, município do Cazenga, todos eles de nacionalidade conacri-guineense e vizinhos de um dos nossos casos”, frisou.

O primeiro caso tem 36 anos de idade, é do sexo masculino, a segunda e a terceira têm 24 e 22 anos de idade, ambas se encontravam em quarentena institucional quando se fez o teste.

“À volta deste novo caso também estão em processamento outras amostras. Vamos, de forma pontual, informar o desfecho. A cerca sanitária no Hoji ya Henda continua e agora vamos analisar e testar as pessoas”, garantiu.

Franco Mufinda realçou que o país tem actualmente o registo de 48 pessoas infectadas e destes casos dois óbitos, 14 recuperados e 32 estão activos, mas clinicamente estáveis.

O governante fez saber que o trabalho de laboratório aponta para um corte de 6. 136 amostras colhidas, sendo 48 resultaram positivas, 5.607 negativas e 481 estão em processamento.

Disse que 688 pessoas se encontram em quarentena institucional em todo o país, enquanto 69 tiveram alta. Entre elas, 28 são residentes em Luanda, 24 no Cunene, três em Cabinda, 13 no Bié e uma outra na Lunda-Norte. Entretanto, o Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) registou 90 chamadas, das quais duas foram de alerta de casos suspeitos de Covid-19, duas denúncias e 86 para pedidos de informação acerca da Covid-19.

Mais de 600 passageiros provenientes de Lisboa e Porto receberam os testes

O secretário de Estado fez saber que os casos suspeitos até esta data são 433, enquanto os contactos sob investigação são 1.111.

Franco Mufinda disse também que ontem se procedeu à entregar dos resultados das análises das amostras colhidas dos passageiros provenientes de Lisboa e do Porto (Portugal) nos dias 17, 18, 19 e 21. São, no total 615 pessoas que testaram na Escola Nacional de Saúde Pública.

Entretanto, hoje ocorrerá a conclusão do curso de cuidados intensivos dirigidos a enfermeiros. “Continuamos com distribuição de materiais de biossegurança nas unidades sanitárias de todo o país. As formações continuam e ao mesmo tempo outras acções de vigilância epidemiológica activa e passiva e a desinfecção de locais públicos”, informou.

Para prevenção, Franco Mufinda apelou ao cumprimento das medidas de protecção, entre elas ficar em casa, lavar frequentemente as mãos com água e sabão, usar a máscara em locais indicados, observar o distanciamento social e, sobretudo, o acatamento das medidas contidas no Decreto Presidencial do Estado de Emergência. “Mas aqui é importante dizer que o controlo, ou até o combate e prevenção da Covid-19, depende muito da responsabilidade de cada um de nós”, realçou.

“Cidadãos insistem em violar a cerca sanitária”, diz a Polícia

O porta-voz do Ministério do Interior, subcomissário Waldemar José, revelou, ontem, em Luanda, que há alguma má interpretação do Decreto 128/20, que decreta o estado de emergência, que já se encontra no quarto momento. Segundo ele, continua-se a observar que muitos cidadãos insistem em violar a disposição do Decreto Presidencial sobre a cerca sanitária a Luanda, e, como resultado, há muitos detidos.

Waldemar José explicou que algumas de tais pessoas têm sido interpeladas nas províncias que fazem fronteira com Luanda. “Se não são detidos logo à saída de Luanda, são detidos nessas províncias”.

A título de exemplo, falou sobre alguns casos relevantes, como o de um suposto efectivo das Forças Armadas Angolanas (FAA) que foi detido e apresentou alguns documentos cuja autenticidade está a ser verificada.

“Ele alega pertencer ao destacamento de Cabo Ledo. Disse estar em período de licença disciplinar e conseguiu passar por vários controlos, tendo sido apanhado no da Canjala. Está detido e, como violou a cerca sanitária, o que constitui crime de desobediência, será presente a julgamento sumário”, explicou.

Jurista desobediente

Por outro lado, o oficial comissário disse que, ontem, as forças da ordem na província de Benguela interpelaram o cidadão Luís Cláudio Nogueira, que se recusou, naquele momento a identificar-se, alegando ser jurista. Nesta qualidade, dizia que não se-lhe podia exigir a apresentar do seu documento de identificação.

O director do Gabinete de Comunicação Institucional do Ministério do Interior contou que eram 23 horas e 30 minutos quando o jurista estava a circular pela cidade de Benguela e foi interpelado pelas Forças de Defesa e Segurança. Em resposta, destratou as forças no terreno, tendo mesmo proferido alguns nomes ofensivos.

Waldemar José disse foi necessário chamar por reforço porque o jurista não se identificava, passados largos minutos, se não mesmo uma hora. Acabou sendo conduzido à esquadra de forma coerciva e, ainda assim, recusou-se a identificar-se, até que lhe foi ordenada a detenção. Somente horas depois da sua detenção é que cedeu e se identificou.

“Aqui, mais uma vez, atendendo ao interesse público e tratando- se de um funcionário público que funciona no Registo Civil do Lobito, um jurista, e na qualidade de entendedor de matérias versadas para o Direito, não devia adoptar um comportamento de vénus. Por esta razão, foi detido e será presente, nas próximas horas, ao tribunal, para ser julgado sumariamente. Este jurista chama-se Luís Cláudio Nogueira”, revelou.

O subcomissão apelou uma vez mais aos cidadãos para que obedeçam as ordens emanadas pelas forças de defesa segurança no terreno, sob pena de incorrerem num crime de desobediência, ou mesmo de resistência.

“Fora o facto que, neste caso em particular, foram proferidas algumas palavras ofensivas à autoridade pública, então, ali é uma acumulação de infracções, razão pela qual esse cidadão será nas próximas horas julgado”, fez saber.

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