TRINTA E UM !…

Não sem nostalgia, no antigamente, nos meus tempos de kandengue, lembro da boca dos mais velhos, quando por qualquer besteira, ou tropelia, na chamada à razão, alertarem: “agora arranjaste um trinta e um.”

De Janeiro a Dezembro, trinta e um era sinônimo de grande azar, maka séria, problema bicudo, de solução imprevisível que, somente, a sabedoria dos mais velhos ou o conhecimento da ciência, estão, sempre estiveram capazes de responder com propriedade.

O bilo está duro, é a todo terreno, sem quartel, o sacana sempre embarrado, nós aqui a lhe contabilizar, os importados, os de contaminação local, azar é azar, de vinte e seis, pulou para trinta e um, a pandemia está a se multiplicar, não vá o diabo tecê-las, pode ser, daqui a pouco, a comunitária pode trazer dor de cabeça.

Manas e manos, camaradas e companheiros, maninhos e irmãos, a progressão não é regressão, se o corona está a querer nos xaxatar, temos de lhe achatar, logo- logo na curva, lhe mostrar cartão vermelho, só possível, com boas práticas, boas atitudes, saber ser, irrepreensivelmente, cidadão exemplar.

Estamos em emergência, de prorrogação a prorrogação, é só coragem, temos de cumprir, saber fazer cumprir, se adaptar ao novo normal, nada de convulsionar, todos cuidados são poucos, o objectivo é o bem comum, a vida.

A missão não é fácil, há que ser forte, alavancar a veia da determinação, não facilitar escapadelas, nada de sentadas, cada família no seu habitat, até quando e onde der.

É mesmo, trinta e um, é número que dá azar, mau indício, tipo treze a Sexta-feira, não atropele as regras, porque senão, logo depois são elas, é só se coçar, até não sei mais aonde.

Estamos assim mesmo, os artistas com as suas lives a nos matar o tédio na tv, umas musiketas, o João Rosa Santos Matias e a Yola deram o pontapé de saída, é a solidariedade a dimbar, bué de cestas básicas, pim-pampum, alegria por alguns dias.

É mesmo assim, quem fala verdade não merece castigo, um forte abraço aos combatentes da linha da frente, os nossos médicos, enfermeiros, polícias, camionistas, pilotos, militares, bombeiros, jornalistas, gente dos serviços especiais e essenciais, sem medir esforços, longe das suas casas, das suas famílias, não arredam pé, em defesa da vida, de todos nós, com unhas e dentes, o país não pode parar.

O momento não dá para vacilar, a pandemia não pode virar infopademia, não fica tonto, nada de ler ou ouvir atoa, porque qualquer algum inventou a cura, ou porque na net tem milongo, cuidado, apenas as orientações, as recomendações, da comissão multissectorial, da OMS, devem ser acatadas, o caminho a seguir.

Não sem nostalgia, no antigamente, nos meus tempos de kandengue, ouvi dizer que, desculpa não cura ferida, nada de arreiou arreiou, se trinta e um é número de azar, temos de vencer o xide, orar de verdade, que Deus nosso bom Pai, em toda a parte, onde quer que esteja, cuide sempre de nós!

João Rosa Santos

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