Um problema muito sério

As marcas da guerra ainda aqui estão, por todo o lado. E uma delas é a falta de medo perante uma arma, num momento em que a irracionalidade da guerra volta a revelar-se, de forma quase imperceptível, mas sim, ela volta, no enfrentamento, na disposição para morrer na defesa de uma posição muitas vezes sem causa, sem razão, em nome sabe-se lá de quem, mas na voragem da violência que guia instintos e a inconsciências.

Os mecanismos de denúncia são já bons, talvez insuficientes, mas há como fazer pressão, vencer, leve o tempo que leve. Há como repudiar e reclamar por meios pacíficos. Mas não é o que se vê acontecer, infelizmente, em demasiadas ocasiões, já.

As pessoas optam por enfrentar, com assustadora frequência, polícias armados, optam por enfrentar armas. Ou porque há muito se perdeu o respeito pela Polícia, pela lei e pelo Estado, ou porque os desespero a que está entregue a sociedade leva à perda do medo e ao não querer saber do amanhã, da vida.

Um sinal para quem governa, não é apenas desobediência, não é apenas falta de formação, há que reflectir e agir.

Multiplicam-se os casos em que cidadãos armados se atiram contra agentes policiais, contra o Estado, contra o Governo. Quando todos os dias vemos agentes da ordem a ser recebidos à pedrada, com paus e insultos em quase todas as parcelas do país, aí o problema já não é apenas do polícia prepotente, da fome, da acção que destrói uma praça ou a “confiança” na impunidade por defesa de ONG alguma, nem de agitação política. Não. É hora de o Executivo assumir que há aqui um problema muito sério.

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